Chibi Akuma’s: muita parra, pouca uva… infelizmente

Imaginem uma menina muito boazinha, que espalhava o bem e a concórdia por todos os locais onde passava. Esqueçam, não tem nada a ver com esta história. Até porque esta menina teve um fim triste que não vamos aqui mostrar, para não ferir susceptibilidades…

Chibi Akuma’s: Esta não é uma história para meninos (e meninas)

Pois, esta não é uma história para meninos (e meninas). É antes para maiores de 18 anos, como terão oportunidade de ver se correrem a apresentação que acompanha o jogo. Aliás, o próprio autor refere que os mais sensíveis deverão escolher jogos mais inofensivos e pacíficos. Como o R-Type, por exemplo.

Como já perceberam, Chibi Akuma’s é uma sátira mordaz ao puritanismo e aos bons costumes, apresentando uma história e gráficos do mais violento que possam imaginar, assim como um humor negro, retorcido e mórbido, que não consegue deixar ninguém indiferente. Objectivo principal alcançado pelo seu autor, portanto.

Um forte impacto visual inicial

O impacto visual inicial é então fortíssimo, contendo o jogo uma apresentação do que melhor já se viu no Spectrum. Os gráficos também são uma pequena maravilha, imensamente coloridos. Aliás, são tão coloridos que acabam por provocar alguma confusão e às páginas tantas já não sabemos por onde andamos ou o que fazemos. É que mais do que um shoot’em’up típico, Chibi Akuma’s é um verdadeiro bullet hell, onde chegam a estar no ecrã, ao mesmo tempo, mais de 256 balas, sem contar com os inimigos. Impressionante, não é?

Não faria mal um pouco mais de controlo sob a acção

Se bem que o conceito de bullet hell seja mesmo esse, preferíamos talvez algo que nos desse mais a sensação de estarmos a controlar a acção, do que simplesmente vaguearmos aleatoriamente pelos ecrãs aos tiros a tudo o que se mexe. Um pouco a sensação que Afterburner ou Karnov nos transmite, ou seja, tecnicamente muito avançado, mas depois com baixa jogabilidade.

Mas não se pense que estamos perante um mau jogo, muito longe disso, simplesmente não atinge o brilhantismo que poderíamos esperar de um programa com estas características. Aliás, temos a certeza que o shooters vão gostar de Chibi Akuma’s, ainda por cima com todas

As funcionalidades existentes, havendo desde logo uma que nos enche as medidas: a possibilidade de dois jogadores em simultâneo. Como o autor conseguiu colocar isso em memória sem diminuir a velocidade de acção por ai além, é que nos surpreende.

Quanto às restantes funcionalidades, estas incluem:

  • Número de créditos (vão até aos 250, pelo que só não terminam o jogo se forem inaptos neste género
  • Quatro níveis de dificuldade
  • Possibilidade de usar Kempston
  • Modo de 2 jogadores cooperativo ou competitivo
  • Número de smart bombs com que se inicia o jogo

Como poderão ver nas funcionalidades existentes, as possibilidades são imensas. As bombas inteligentes limpam tudo o que estiver no ecrã, sendo a opção mais indicada para usar quando nos encontramos com os big bosses de cada um dos quatro níveis do jogo, Além disso temos ainda um a outra ajuda, a possibilidade de se agarrar os add-ons, que duplicam ou triplicam o poder de fogo da personagem que assumimos, o Vampiro Chibiko, ou o seu irmão canibal Bochan. Tudo boa gente…

Assim, o principal defeito, a nossa ver, é que a jogabilidade não acompanha tudo o resto. O seu autor quis colocar tanta coisa ao mesmo tempo no ecrã, que depois obviamente penalizou o decorrer da acção. Seria preferível ter algo mais “leve”, mas ao mesmo tempo mais inclusivo.

No entanto, quem resolver assumir a pele desta antítese de herói, que Deus matou, que foi banido do próprio Inferno e reencarnou no inimigo de toda a humanidade, vai passar uns momentos divertidos. Isso após acertar com o complexo sistema de multi-load, já que tanta coisa não cabia num load simples, como seria de esperar.

Ficamos então a aguardar pelos restantes jogos da saga…

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André Leão
Tive o meu primeiro computador em 1985, um TC 2048, que me iniciou na informática. Apesar de no final dos anos 80 ter definitivamente passado para os 16 bits, o bichinho do Spectrum e clones sempre ficou, até aos dias de hoje. Atualmente coleciono tudo o que tenha a ver com o Spectrum e vou estando a par das novidades deste mercado, sendo fundador do blogue Planeta Sinclair.