Quando o ChatGPT apareceu online a 30 de novembro de 2022, ninguém fazia ideia do que aí vinha. Era só um “research preview”, um site com uma caixa de texto e meia dúzia de disclaimers a avisar que aquilo podia falhar, inventar e dizer disparates.
Mas, mesmo assim, mesmo com os utilizadores a não fazerem ideia do que se tratava, bastaram semanas para explodir. Em dois meses já tinha 100 milhões de utilizadores, um crescimento tão absurdo que Instagram e TikTok pareceram apps de nicho ao lado desta nova febre.
Três anos depois, o ChatGPT deixou de ser uma curiosidade engraçada. Já está ao lado do email, dos bancos e do calendário. Já não é uma moda. É utilidade pública. Aliás, é uma ferramenta que já mete em risco algumas das gigantes da indústria, como é o caso da Google.
Ir ao Google já não é a mesma coisa… Agora há quem diga “Vai ao ChatGPT” e isso é importante. Aliás, pode ser até assustador. Ao mesmo tempo, é a prova viva de como três anos podem revolucionar por completo a forma como lidamos com tecnologia.
De uma simples caixa de texto ao caos multimodal
Em 2022, abrias um site, escrevias, recebias texto. Nada de imagens, nada de PDFs, nada de voz, nada de memória, nada de agentes, nada de apps. Só texto. Era básico, cru… e, mesmo assim, mágico.
O modelo era o GPT-3.5, esquecia-se do contexto, inventava factos, criava citações falsas com convicção total e entrava em pânico com perguntas inocentes enquanto respondia com absoluta segurança sobre eventos históricos que nunca aconteceram. Era um wild west digital. Mas era o primeiro contacto real que o público tinha com IA generativa que parecia de facto conversar.
Parece que foi ontem, mas já passaram 3 anos desde que a IA entrou na nossa vida, pelo menos esta forma de IA.
Depois veio a avalanche.
GPT-4 em 2023, GPT-4o em 2024, multimodalidade a sério, voz, visão, PDFs, apps, agentes, memórias, longos contextos de um milhão de tokens, modelos mini, modelos gigantes, desktop app, mobile app. E depois GPT-4.1, GPT-5, GPT-5.1… sempre com um objetivo muito claro. Transformar aquela caixa de texto num monstro capaz de responder, ver, ouvir, planear, editar, ensinar, resumir, analisar, programar e até desenhar.
Aliás, agora até existem apps dentro do ChatGPT.
O crescimento financeiro foi tão brutal como o tecnológico
O OpenAI de 2015 era um laboratório sem fins lucrativos a tentar “democratizar a IA”. O de 2025 é uma empresa avaliada perto dos meio bilião (com B) de dólares, com versões Plus, Team, Enterprise, Pro, Educação e APIs para tudo.
É… Quase inacreditável.
E quanto ao AGI? Sam Altman diz que está perto. Mas calma com isso.
A palavra “AGI” virou meme, promessa, produto e superstição tecnológica.
Altman atira datas vagas há anos. Mas a verdade é que, por muito impressionante que tenha sido a evolução desde 2022, não estamos nem perto de algo que substitua a inteligência humana em todos os contextos.
As grandes evoluções são raras, e por isso mágicas. A tecnologia é rápida, mas a AGI é uma coisa diferente. É uma coisa que “humilha” a atual IA que já é mágica para tanta boa gente.
O que vamos ver nos próximos três anos é um refinar do que já temos, e não há problema nenhum.
- melhores memórias
- modelos mais rápidos
- integração mais profunda com sistemas operativos
- agentes autónomos mais úteis
- interação mais natural por voz e vídeo
O impacto cultural já ninguém tira!
O ChatGPT já está em salas de aula, em empresas, em políticas internas, em debates políticos, em criatividade, em notícias, em tudo. É ferramenta para uns, ameaça para outros, pânico para alguns, salvação para outros tantos.
Mas é omnipresente. E quanto mais cresce, mais difícil vai ser viver sem ele.
Os resultados estão à vista. Bons ou maus.






