Os Certificados de Aforro são, há décadas, o cofre preferido dos portugueses: seguros, garantidos pelo Estado, sem comissões. Mas com as taxas a mexer todos os meses, a pergunta que muita gente faz é simples, quanto rende, afinal, o dinheiro lá metido? A resposta tem um número, e tem uma verdade incómoda a seguir.
O que são, em duas linhas
Ao comprar Certificados de Aforro, estás na prática a emprestar dinheiro ao Estado, que te paga juros em troca. São geridos pelo IGCP, o capital é garantido e o risco é praticamente nulo, daí a fama de investimento seguro. Podes começar com 100 euros e reforçar a partir de 10, e o dinheiro pode ser levantado ao fim de três meses.

Neste momento, só se pode subscrever a série F, a que está em comercialização desde junho de 2023.
Quanto rende hoje
A taxa da série F está ligada à Euribor a 3 meses e é revista todos os meses. As subscrições recentes tinham uma taxa base bruta a rondar os 2,4%, com um teto máximo fixado em 2,5%, a taxa base nunca pode ultrapassar esse valor, por mais que a Euribor suba.
A esta taxa base somam-se os prémios de permanência, um bónus que vai aumentando quanto mais tempo mantiveres o dinheiro investido. Começam no 2.º ano e vão subindo até 1,75% no fim do prazo. Na melhor das hipóteses, a taxa bruta total pode chegar aos 4,25% mas só ao fim de muitos anos.
A verdade que convém saberes
Aqui está o número que muda tudo, e que raramente aparece nos anúncios. Depois de descontado o IRS sobre os juros, a série F rende atualmente cerca de 1,45% líquido.
E a inflação prevista para o ano ronda os 2,1%. Traduzido em português simples: o dinheiro cresce, mas cresce menos do que sobem os preços. Na prática, o teu poder de compra até diminui um pouco. Não estás a perder dinheiro em euros, mas estás a perder valor real.
Isto não faz dos Certificados um mau produto, faz deles o que sempre foram: um cofre seguro, não uma máquina de enriquecer. Servem para guardar dinheiro sem risco, não para o multiplicar.
Um pormenor importante: as séries antigas
Se por acaso ainda tens Certificados de séries anteriores (a série E, subscrita até junho de 2023, ou mais antigas), a história é outra. Essas séries têm fórmulas mais generosas e algumas chegam a render acima da inflação, entre 2,5% e 2,9% líquidos.

A regra prática é clara: se tens uma série antiga, não a resgates para passar para a F, perderias rendimento. As antigas valem mais.
Vale a pena para ti?
Depende do que procuras. Se queres um sítio seguro para guardar dinheiro que possas precisar, sem risco de perder capital e sem comissões, os Certificados cumprem. São melhores do que muitos depósitos a prazo e infinitamente mais seguros do que investimentos com risco.
Mas se o teu objetivo é fazer o dinheiro crescer acima da inflação, a série F sozinha não chega, terás de olhar para outras opções, com o risco que isso implica. Antes de decidires, podes usar o simulador oficial do IGCP ou o do Doutor Finanças para veres o rendimento líquido no teu caso concreto.






