O combate à IPTV pirata tem sido feito a conta-gotas. Bloqueia-se um site ou uma plataforma, e do nada aparecem três novos a ocupar o seu lugar. Pois… O problema é que começa a movimentar dinheiro a sério, e por isso, é preciso mudar a forma como é feita a luta.
Por exemplo, em França, parece que a paciência acabou. E claro, se correr bem por lá, vai acontecer em toda a Europa num abrir e piscar de olhos.
Cerco à IPTV Pirata? Bloqueios automáticos chegam em 2026

Portanto, a autoridade reguladora das comunicações em França, a Arcom, quer virar a mesa já em 2026, com um sistema de bloqueio automático e praticamente em tempo real para transmissões ilegais. Um sistema que, claro, vai estar focado no desporto em direto.
Menos burocracia resulta em mais bloqueios!
Até agora, cada pedido de bloqueio exigia validações manuais, análises técnicas e tempo. Muito tempo. De facto, demasiado tempo para um mundo onde um stream ilegal muda de endereço em minutos.
O novo plano passa por algo diferente! Em vez de a Arcom analisar cada caso individualmente, os próprios detentores de direitos vão usar sistemas de deteção automática. A entidade reguladora passa a supervisionar esses sistemas, garantindo que cumprem critérios técnicos e legais.
O objetivo é escalar de algumas centenas de bloqueios por semana para milhares, com intervenções que façam sentido durante um jogo ou evento ao vivo, e não dias depois, quando já ninguém está a ver.
Inspirados no Reino Unido e em Itália

Antes de mais nada, França não está a inventar nada. O modelo segue exemplos já aplicados noutros países europeus, como o Reino Unido e Itália, onde sistemas como o Piracy Shield já permitem bloqueios quase imediatos durante transmissões desportivas. (Porém, com algumas falhas assumidas).
Segundo dados da própria Arcom, as medidas tradicionais até tiveram impacto. O uso de redes P2P caiu cerca de 80% desde 2009 e a audiência de serviços ilegais desceu 35% entre 2021 e 2025.
O problema é que o jogo mudou. A pirataria saiu dos torrents e passou para streams diretos, apps, boxes e listas IPTV. E aí, os métodos antigos deixaram simplesmente de acompanhar.
Hoje, as perdas estimadas rondam os 1.5 mil milhões de euros por ano, cerca de 12% de todo o mercado audiovisual legal francês.
VPNs e DNS também entram no radar
Outro ponto importante deste plano é assumir algo que toda a gente já sabe. Bloquear IPs, por si só, já não chega.
A Arcom estima que cerca de 66% dos utilizadores de serviços ilegais recorrem a DNS alternativos ou VPNs para contornar bloqueios. Por isso, o novo sistema não quer ficar limitado aos operadores de Internet.
A intenção passa por criar e manter listas atualizadas de serviços piratas, partilhadas com fornecedores de DNS, serviços de VPN, redes de distribuição de conteúdo e lojas de aplicações.
Numa primeira fase, a colaboração será voluntária. Mas o aviso fica feito. Se estes intermediários não colaborarem, a Arcom admite avançar com medidas coercivas. Há ainda outro detalhe importante. Serviços que se promovam explicitamente como ferramentas para contornar bloqueios podem vir a enfrentar processos legais.
O que esperar de 2026?
Em suma, algumas destas medidas ainda dependem de ajustes legais, integrados numa proposta de lei ligada ao financiamento e organização do desporto profissional em França. Ainda assim, o regulador garante que já está a trabalhar com operadores e detentores de direitos para ter tudo pronto até ao primeiro semestre de 2026.
Ou seja, as regras do jogo vão mudar. Portugal está à espreita. Especialmente agora que vai existir uma renovação dos direitos de transmissão da primeira liga. Muita coisa vai mudar por cá também.

