Quando o CEO da Sport TV aparece no Parlamento Europeu a falar de pirataria, a reação não surpreende. A internet ferve, os consumidores criticam, mas isto é completamente normal. A caça à pirataria vai subir de nível, e como é óbvio, Portugal não escapa à regra.
Ainda assim, como estou farto de dizer, a Sport TV há muito que deixou de ser um canal querido para muitos portugueses. No fundo, transformou-se no símbolo perfeito de preços altos, serviço fraco e zero vontade de se adaptar à realidade atual.
Sim, a pirataria tem culpa. Mas a falta de vontade por parte dos serviços legais também pesa.
Pirataria é ilegal. Mas a história não acaba aí

Vamos tirar o óbvio da frente. Sim, pirataria é ilegal. Sim, prejudica quem detém os direitos. Isso não está em discussão. É um problema que vai ter de ser resolvido. A bem ou a mal.
Porém, a Sport TV insiste em tratar a pirataria como a causa, quando para muita gente ela é apenas a consequência.
Preços absurdos para um serviço que está aquém!
O argumento mais repetido é simples.
20 euros ou mais por mês para ver futebol num país com salários baixos não faz sentido. Especialmente quando o serviço oferecido fica muito aquém do que hoje se espera de uma plataforma paga.
Alguns dos problemas mais comentados nas redes sociais:
- qualidade de imagem que nem sempre acompanha o preço
- ausência de um arquivo decente com jogos completos
- falta de inovação gráfica e estatística
- dependência de pacotes fechados com operadores
- perda constante de direitos, mas aumentos regulares de preço
Onde está o modelo moderno?
Se a pirataria aumenta porque os preços são desajustados, onde está a inovação? Porque não planos mais baratos com alguns compromissos, plataformas independentes das operadoras, e claro, um modelo de Pay per View, em que o consumidor pode comprar os jogos que realmente quer ver?
Se um jogo custasse 4 ou 5 euros, pagavam. Se houvesse um plano de 5 ou 10 euros por mês, pagavam. Ou seja, se o serviço fosse realmente bom, pagavam.
No final do dia, é falta de proposta.
Ir ao Parlamento resolve o quê?
Ir a Bruxelas pedir mais repressão não vai mudar o essencial. Pode cortar alguns serviços, pode assustar uns quantos utilizadores, mas não resolve o problema de fundo. A pirataria vai sempre existir, enquanto o serviço do consumidor for superior ao serviço legal.
A pirataria não nasce do nada
Enquanto a Sport TV continuar a olhar apenas para a ilegalidade, em vez de olhar para o espelho, nada vai mudar. A pirataria não se combate só com leis. Combate-se com um serviço melhor, mais justo e mais ajustado à realidade portuguesa.

