A centralização dos direitos TV do futebol português é um tema muito interessante, mas que ainda ninguém percebeu muito bem!
A centralização dos direitos TV do futebol português é um tema muito interessante, mas que ainda ninguém percebeu muito bem. De facto, basta olhar para os comentários à volta do comunicado lançado pela direção do Sport Lisboa e Benfica.
Por isso, vamos tentar elucidar um bocadinho a “coisa”… O que é, por que razão há guerra aberta? Mais importante que isso, o que muda na tua vida?
Centralização dos direitos TV do futebol português. O que é isto?

Portanto, se tens acompanhado as notícias do futebol nacional nos últimos tempos, é impossível não teres tropeçado no conceito do momento. Estamos a falar da “centralização dos direitos televisivos“.
O tema parece técnico e chato à primeira vista, mas a verdade é que toca no ponto mais sensível de todo o negócio do desporto-rei em Portugal: o dinheiro.
De facto, estamos a falar de muito dinheiro.
Ou seja, por força de um decreto-lei aprovado pelo Governo, até à época 2028/2029 os clubes da Primeira e Segunda Liga vão ser obrigados a acabar com a festa das negociações individuais e passar a vender os seus jogos em pacote fechado através de uma entidade única gerida pela Liga Portugal.
Assim, o que tem acontecido ao longo dos últimos anos — e até tivemos uma renovação muito recente entre o Benfica e a NOS — é que cada clube celebra contratos individuais. A ideia é que tudo comece a fazer parte do mesmo “pacote”.
De facto, para quem consome futebol no dia a dia, a promessa soa a música para os ouvidos. Porque vamos tentar imitar os modelos de sucesso da Premier League ou da La Liga e valorizar o produto nacional.
Mas, como seria de esperar em Portugal, mexer no tacho de quem sempre comeu sozinho abre uma autêntica caixa de Pandora.
IPTV Pirata Premium? Isso existe? Óbvio!
O fim da lei do mais forte?

Como deves ter noção, no modelo que vigora até hoje, o cenário é de um desequilíbrio brutal.
Ou seja, equipas como o Benfica, o FC Porto e o Sporting chegam ao pé da Sport TV, da DAZN ou de operadoras de telecomunicações e exigem dezenas de milhões de euros por época pelos seus jogos em casa. O que até faz algum sentido, visto que são os clubes que mais fazem mexer o campeonato.
O problema é que, enquanto estes clubes conseguem milhões, um clube de meio ou fundo da tabela recebe uma fração miserável do bolo.
Infelizmente, é uma forma de fazer as coisas que destrói a competitividade da liga e faz com que o campeonato esteja decidido quase antes de começar. Muito dificilmente vais ver alguém a competir a sério fora dos 3 ou 4 grandes.
O que, claro está, também é negativo quando se fala das competições europeias, e os clubes na Liga Europa e Liga Conferência acabam por não conseguir competir com as equipas lá de fora.
O que muda na prática?
Com o modelo centralizado, a nova empresa (Liga Portugal Centralização) passa a deter os direitos de transmissão de todas as equipas e vende o pacote global aos operadores ou a plataformas de streaming. A ideia é que a fatia gigantesca do bolo seja depois repartida por todos com base em critérios de equidade, audiências e mérito desportivo.
Sim, os clubes maiores vão continuar a receber mais. Mas vai existir mais equilíbrio e, claro, mais dinheiro no bolso dos mais pequenos. O que deverá melhorar a competitividade de todo o campeonato.
Desastre financeiro para os “grandes”?
Como seria perfeitamente previsível, a medida está longe de ser um mar de rosas.
Clubes de grande dimensão, com o Benfica na linha da frente a levar a discussão até à Assembleia da República, olham para este processo com uma desconfiança gigantesca.
O receio principal é que, ao “democratizar” as verbas, os grandes percam receitas brutais que atualmente usam para se manterem competitivos nas competições europeias, sem que haja a garantia de que o bolo global vá realmente crescer com esta mudança.
Ou seja, os mais pequenos ficam mais fortes, mas os maiores perdem poder lá fora, o que pode acabar por ser uma sentença de “morte” para todos.
Afinal, o que muda no teu bolso? Vai ficar mais barato ver futebol com a centralização?
A grande promessa: Um canal (ou plataforma) único para o campeonato todo!
Na parte da comodidade, a resposta curta é sim, a ideia é teres apenas uma subscrição para ver a Primeira Liga. No modelo atual, se queres acompanhar tudo, tens de ter Sport TV para a maioria dos jogos e a BTV para os jogos do Benfica em casa, sem esquecer a DAZN se quiseres juntar a Liga dos Campeões à mistura. É um pesadelo financeiro.
Com o modelo centralizado comercializado pela Liga Portugal, os direitos de todos os 18 clubes do campeonato são leiloados num pacote único. Isto significa que a operadora, canal ou plataforma de streaming (como a Netflix, Amazon Prime ou Sport TV) que ganhar esse pacote principal vai transmitir todos os jogos da liga.
Para o adepto, isso traduz-se em simplicidade. Um único canal, uma única app e uma única fatia de mensalidade para ver o campeonato português de alto a baixo.
Vai ficar mais barato? Esquece isso.
Agora entramos na parte realmente importante: o preço para o teu bolso.
Eu gosto de ver futebol, mas com os milhões na conta dos clubes de futebol passo eu bem. É um problema de gestão que me ultrapassa. Eu quero é saber quanto tenho de pagar para ver futebol.
Dito tudo isto, se estás à espera que a centralização traga mensalidades mágicas de 5 ou 10 euros por mês, o melhor é acordares desse sonho bonito. As expetativas dos clubes portugueses para este leilão centralizado são gigantescas. Aliás, fala-se em tentar elevar o valor total do negócio para lá dos 300 milhões de euros por época. E como é evidente, quem quer que venha a pagar essa montanha de dinheiro à Liga vai querer recuperar o investimento à custa de quem está no sofá.
Por isso, mesmo que digas adeus à BTV, Sport TV, DAZN, etc… A mensalidade para esse “Pacote Liga Portugal” único deverá ser bastante alta. Possivelmente até mais alta que a atual mensalidade da Sport TV, que é quem detém o grosso dos jogos do campeonato.
Além disso, se quiseres continuar a ver as competições europeias (Liga dos Campeões ou Liga Europa), essas continuam a ser vendidas à parte pela UEFA e dependem de outros canais.
No final do dia, vai continuar a ser muito caro ver futebol em casa, sendo exatamente por isso que o IPTV continua a crescer na Europa, especialmente em mercados como o nosso. O que achas de toda esta situação? Deixa a tua opinião na caixa de comentários em baixo.







