Pode parecer estranho, visto que já está tudo mais ou menos aprovado. Mas, a novela da centralização dos direitos audiovisuais do futebol português acabou de subir de tom e promete transformar-se num verdadeiro filme de ação político-desportiva.
Afinal de contas, na passada sexta-feira, dia 7 de agosto, Rui Costa pegou no direito constitucional de petição e submeteu à Assembleia da República um pedido formal para travar de emergência a implementação do atual modelo de centralização.
A ideia do presidente do Benfica é muito simples: suspender tudo imediatamente até que seja feita uma avaliação técnica, económica e jurídica 100% independente.
Centralização dos direitos de TV em risco? É uma guerra?

Portanto, numa altura em que a pirataria é cada vez mais um gigante poderosíssimo, e o futebol nacional se prepara para uma das maiores transformações de sempre no seu modelo de negócio. O clube da Luz decidiu meter os pés ao caminho e puxar o travão de mão! Alegando que o modelo como está desenhado é um risco brutal para as finanças e para a competitividade das equipas.
- Nota: Afinal de contas, é esperado que os 3 grandes percam quantidades significativas de dinheiro por temporada. Um compromisso que é aceitável para a grande maioria dos fãs, porque isto significaria mais dinheiro para as equipas mais pequenas, o que por sua vez deverá melhorar a competitividade da liga.
“Trancem a porta antes que o negócio se transforme num desastre!” É isto? Ou é exagero?

Portanto, a petição, que vai estar aberta para subscrição pública durante 60 dias após a validação do Parlamento, aponta à forma como o processo está a ser conduzido.
Ou seja, o argumento do Benfica é de que os direitos de transmissão são a galinha dos ovos de ouro. De facto, são a principal fonte de receita de qualquer clube de topo. Assim, num mercado audiovisual em constante mutação, agora com o streaming, as redes sociais e os hábitos de consumo a mudarem a um ritmo alucinante, avançar às cegas com um modelo rígido sem garantias de retorno é, no mínimo, brincar com o fogo.
Assim, para Rui Costa, qualquer reforma deste género tem de assentar numa adesão estritamente voluntária, na salvaguarda das receitas atuais e na garantia de que o controlo da entidade responsável pela comercialização fica nas mãos dos clubes e não de fundos ou intermediários.
De forma prática, na opinião do clube encarnado, a centralização devia servir para valorizar o produto e fazer entrar mais dinheiro nos cofres. Porém, no formato atual corre o risco de ser um fator de desvalorização e perda de competitividade internacional.
Uma bomba-relógio para o futuro do futebol nacional?
Por muito que a Liga e outros clubes defendam que a centralização é a única forma de democratizar as receitas e reduzir o fosso entre os grandes e os pequenos. A verdade é que o Benfica não parece disposto a abdicar de um único cêntimo do seu valor de mercado.
A guerra pelo bolo das transmissões está apenas a começar. De um lado temos quem exija igualdade e redistribuição. Do outro, quem lembre que sem os grandes a gerar audiência, a montanha de dinheiro que todos esperam receber simplesmente não vai existir.
Achas que a centralização dos direitos TV vai salvar o futebol português ou o Benfica tem razão em travar o processo? Deixa a tua opinião na caixa de comentários em baixo.







