O caso do smartphone de luxo 8488 Titanium Palace Edition ou: como seria um smartphone verdadeiramente Português?


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Foi revelado esta semana na China um smartphone mais extraordinário do que a soma de todas as suas partes: o 8488 Titanium Palace Edition é um smartphone com um dragão dourado gravado e um preço de quase €3000.

Em termos de hardware, não conhecemos muito sobre este dispositivo. O ecrã é de 5 polegadas HD é quase nos atrevemos a pensar que não seria por ter um ecrã melhor que alguém se atreveria a pensar “não, demasiado caro”.

Desconhecido é igualmente o processador, um octa-core Qualcomm, com 128GB de armazenamento. Nas câmaras, uma de 21MP adorna a traseira enquanto a câmara selfie está mencionada como possuindo 30MP, valor que nos parece estranho, por ignorância quanto a qualquer sensor do género no mercado. Interpolados, talvez?

Pouco importa, o 8488 Titanium Palace Edition é tudo estética e tradição.

A estética do 8488 Titanium Palace Edition é feita precisamente com este dragão bem no centro, em ouro de 18 quilates, rodeado de pele genuína trabalhada em múltiplas opções de cor.

É o resultado da colaboração entre o fabricante, o designer Lawrence Xu, e o Museu do Palácio da Cidade Proibida.

O que nos desperta a atenção no terminal é muito mais do que o seu aspecto luxuoso: é o quanto a sua estética e combinação de cores invoca os tecidos e a estética clássica Chinesa. Do brilho das sedas, aos dourados dos bordados, está tudo lá, e um Chinês saberá bem identificar cada paralelismo e apreciá-lo.

A proeza para a China e para a sua indústria de smartphones não é puramente tecnológica. Pelo contrário, é a capacidade para dominar o mercado mundial sem perder o contacto com as suas raízes culturais.

A China vende neste momento smartphones de qualidade excepcional para os principais mercados mundiais, e fá-lo sem se envergonhar de onde vem ou de quem é. Há um orgulho intrinsecamente Chinês nas marcas da grande nação do Huang Ho, sem renegarem o seu mercado interno, enquanto aprendem a conquistar o ocidente.

  • E Portugal, tem identidade tecnológica?

Portugal é hoje um dos grandes destinos do turismo internacional, que vem cá descobrir os nossos monumentos e bolinhos de bacalhau vendidos em simulacros de lojas clássicas num país onde o comércio tradicional é aniquilado sem dó nem piedade e o nosso conceito de tradição é uma estátua do galo de Barcelos paga a peso de ouro.

Melhores exemplos teríamos se olhássemos para a simbologia e a estética de Vhils, ou a azulejoaria grafitada de Add Fuel. Ambos seriam tremendos exemplos de como se faz algo profundamente inovador sem renegar a estética histórica se uma nação, termo que remete muito mais para os laços culturais que para a mera legalidade da definição de um país.

Mas Portugal continua a ser, fundamentalmente, um país envergonhado, tímido da sua simbologia e imagens de marca, que se preocupa mais com o que outros países pensam dos seus símbolos, do que com a sua valorização, e reduz -se assim ao brejeiro.

Portanto, quanto há na nossa roupa, na nossa tecnologia, que possamos olhar em profunda ignorância e pensar imediatamente “isto é Português”?

Onde irmos buscar a nossa identidade para a casarmos com a tecnologia do novo século? Por onde emprestamos ao design dois mil anos de nacionalidade?

  • A identidade Portuguesa num smartphone: possível ou impossível?

Portugal não é desprovido de marcas de tecnologia, mas a pergunta a que devem responder é: o que seria vendável, ainda que eminentemente Português?

Não bastaria à partida pregar na capa um coração de filigrana ou o Zé Povinho. Seria algo tão desesperadamente kitch quanto uma máscara selfie baseada no Esteves.

Uma das marcas que opera em Portugal de modo discreto, a Iki Mobile, acaba de lançar um smartphone revestido a cortiça. É um material eficaz, eminentemente Português, e por isso vemos este como um passo gigante na direção certa.

O KF5bless Cork Edition é uma ideia tremenda que pode tornar-se genial. Com o preço certo, os turistas comprariam o dispositivo nem que fosse pela mera curiosidade.

Mas ainda não é isto. Dos traços gerais do exterior, aos serviços e à valorização da imagem e da identidade da Portugalidade, o caminho é ainda bastante longo.

Mas digam-nos os nossos leitores: como seria um smartphone de identidade Portuguesa ou Brasileira?

E já agora, haveria espaço para tal aposta, ou estamos reduzidos à repetição das culturas estilísticas dominantes?

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