Com o outono, a chuva volta, e com ela o risco de acordares com a casa alagada. Muita gente descobre só nessa altura que o seguro não paga tudo. A cobertura de inundações tem regras próprias, e perceber a diferença entre inundação e dano por água pode poupar-te milhares de euros.
Casa alagada: o seguro paga? Depende da cobertura
Segundo a DECO PROteste, a cobertura de inundações só pode ser acionada em caso de fenómenos naturais, como trombas de água ou chuvas torrenciais, rebentamento de diques e barragens ou transbordamento de cursos de água. Alguns seguros exigem que a chuva atinja um mínimo, o critério habitual é de 10 milímetros em 10 minutos.

Já a cobertura de danos por água aplica-se a situações como um cano roto ou um entupimento na rede interna, e não cobre todos os tipos de infiltrações. Por isso, o mesmo estrago na cozinha pode estar coberto ou não, consoante a causa. Confirma na tua apólice o que está contratado.
O que o multirriscos costuma cobrir (e o que fica de fora)
A maioria dos seguros multirriscos de habitação inclui, nas coberturas base, incêndio, tempestades, inundações, aluimento de terras e danos por água. Mas o recheio, ou seja, móveis, eletrodomésticos e roupa, pode estar fora, e muitas vezes é preciso contratá-lo à parte. A cobertura de sismos é sempre facultativa.
Também convém ver se o capital seguro corresponde ao valor real de reconstrução da casa, porque um capital mais baixo pode reduzir a indemnização. E em situações de calamidade, se a tua apólice cobre tempestade, a seguradora tem de pagar, segundo a informação divulgada após a tempestade Kristin.
Os passos certos depois do sinistro
A DECO PROteste indica que o sinistro deve ser participado à seguradora no prazo máximo de oito dias, reunindo provas dos danos, pedindo orçamentos de reparação e aguardando a peritagem. Antes de limpar, tira fotografias e faz vídeos de tudo, e guarda os bens danificados até a seguradora dizer que podes deitá-los fora.

Se a causa foi uma tempestade ou chuva intensa, a seguradora pode pedir ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) um documento que confirme a intensidade do fenómeno. Se tiveres de fazer uma reparação urgente, guarda as faturas para as apresentares.
Antes que aconteça
Vê agora a tua apólice: se tem cobertura de inundações, se inclui o recheio, qual é o capital seguro e qual a franquia. Segundo uma estimativa divulgada por um site de poupança, um seguro multirriscos custa cerca de 15 a 25 euros por mês, um valor pequeno comparado com o custo de refazer uma cozinha ou substituir eletrodomésticos. Cada seguro é diferente, por isso, em caso de dúvida, pergunta ao mediador ou à seguradora. Descobrir que não estás coberto depois de a água entrar em casa é a pior altura para isso.
E se a água vier do vizinho?
Nem todas as infiltrações nascem na tua casa. Segundo a DECO PROteste, se a origem do sinistro estiver na casa do vizinho, o seguro multirriscos do vizinho tem de incluir a cobertura de responsabilidade civil de proprietário para responder pelos teus danos. Se a origem estiver na tua casa, o dever de acionar o seguro é teu, em particular a cobertura de danos por água.
Nestes casos existe a chamada declaração amigável de danos por água, que ajuda a simplificar o processo entre vizinhos e seguradoras. Em caso de dúvida sobre quem deve acionar o seguro, convém participar logo o sinistro à tua seguradora e deixar que ela te oriente, sem esperar pela resposta do vizinho.
E tu, sabes se o teu seguro cobre inundações e o recheio da casa?








