Se calhar já tinhas notado isto, mas sempre que aparece um qualquer anúncio de carros na TV, Internet, revistas, etc… O preço aparece quase sempre sem IVA. Do nosso lado é igual. Abro um comunicado de imprensa, (como aconteceu recentemente com o novo Nissan LEAF) e o preço salta logo à vista: 29.990€… mas com um asterisco gigante ao lado a dizer “+ IVA”.
É o novo normal neste mercado. Todas as marcas o fazem, e a razão pelo qual isso acontece é muito simples.
Para o consumidor comum, isto parece quase uma rasteira ou uma tentativa de publicidade enganosa. Quase como se fosse uma tentativa de passar um preço mais baixo. Mas, não é.
O mercado automóvel português é dominado pelas empresas!

Portanto, a verdade nua e crua é que o mercado de carros novos em Portugal não se aguenta com os clientes particulares. A esmagadora maioria das matrículas que saem dos stands todas as semanas pertencem a frotas de empresas, a ENIs (Empresários em Nome Individual) ou a contratos de leasing e renting corporativos. E é aqui que a matemática do IVA muda por completo.
Ao contrário de ti, que compras o carro para as voltas do fim de semana e tens de meter os 23% de IVA em cima da mesa para nunca mais os ver, as empresas têm regras fiscais muito diferentes. Afinal, dependendo do tipo de veículo, elas podem deduzir o IVA a 100%. Isto significa que, para o departamento financeiro de uma empresa, o IVA é um valor de passagem. Ou seja, o custo real do carro é, efetivamente, o preço base líquido.
Como as marcas sabem perfeitamente quem é que lhes mete o dinheiro grande em caixa, os departamentos de marketing desenham as campanhas a pensar diretamente nesse público-alvo. Anunciar o preço sem IVA é a forma mais eficaz de captar a atenção do gestor de frotas que anda à procura de fazer contas ao orçamento da empresa.
Mas, apesar de não ser assim tão complicado fazer a conta, também acho que o preço para particulares deveria estar sempre presente.
Não é por acaso!
Se fores reparar bem, esta tendência de esconder o IVA nos anúncios é infinitamente mais agressiva nos carros 100% elétricos (EVs) e em alguns híbridos plug-in. E isto não acontece por acaso. A legislação fiscal em Portugal dá uma ajuda gigantesca às empresas que decidem eletrificar as suas frotas.
Enquanto num carro a gasolina ou a gasóleo é quase impossível deduzir o IVA (salvo raras exceções de veículos comerciais), nos automóveis 100% elétricos até um determinado teto legal, o Estado permite a dedução total do imposto.
Para além disso, as empresas ficam isentas de pagar a mítica Tributação Autónoma, que é um imposto camuflado que o Estado cobra todos os anos sobre os custos que as empresas têm com carros. Juntas a isto a isenção de IUC e as contas ficam feitas: para uma empresa em Portugal, comprar um elétrico sem IVA é um negócio demasiado sumarento para ignorar. Daí vermos os stands e os cartazes na rua inundados com preços que, infelizmente, não se aplicam ao comum dos mortais.




