Durante anos a fio, o discurso oficial em Portugal e na Europa foi sempre o mesmo… Comprem carros elétricos, salvem o planeta, aproveitem a isenção de impostos e digam adeus às idas dolorosas às bombas de gasolina!
Mas, à medida que os condutores saltam para este tipo de veículo, a realidade é que existem quebras de faturação importantes noutros lados. Que, eventualmente, vão ter de voltar a existir.
A questão nunca foi um “se”, foi sempre apenas um “quando”.
Carros Elétricos vão sofrer com taxas? Sim. Mas calma!

Portanto, centenas de milhares de portugueses fizeram contas à vida, apertaram o cinto para pagar o balúrdio que um elétrico ainda custa, e mudaram de hábitos a contar com uma poupança a longo prazo na carteira.
Aliás, nos últimos meses, é inegáve que mais e mais portugueses estão a apostar nesta estratégia, de forma a fugir aos custos crescentes da gasolina e do gasóleo. Mas… Isso significa que a grande torneira dos impostos está a secar para o estado.
O que se faz? Mais impostos, um bocadinho diferentes, mas com o mesmo objetivo.
O Estado português acaba de descobrir que a torneira dos impostos sobre os combustíveis fósseis (ISP) está a secar a olhos vistos e já começou a afiar as garras para inventar uma nova taxa cobrada por cada quilómetro que o teu carro elétrico rodar na estrada!
Por isso, uma proposta em cima da mesa quer usar os registos das inspeções periódicas obrigatórias para medir a distância percorrida e passar uma fatura anual aos proprietários de elétricos! O pretexto é a manutenção das estradas, mas a verdade nua e crua é aquela que todos conhecemos… Quando o Estado perde uma receita milionária, não descansa enquanto não encontrar um novo bolso para assaltar!
Até porque, se os impostos recolhidos no lado dos automóveis fossem de facto utilizadores para arranjar estradas, dinheiro não faltaria. O problema é que se tapa um buraco com uns recursos, que depois faltam noutro lado qualquer.
Carregar em casa é barato? Claro que é. Muito mais barato que meter gasolina. Mas… É preciso ir buscar o dinheiro a algum lado.
O pânico dos 200 milhões de euros perdidos
A discussão ganhou força durante a apresentação de um estudo sobre o futuro do financiamento rodoviário pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT). O motivo do desespero dos nossos governantes é incrivelmente básico: dinheiro fresco que está a evaporar-se.
Os números que estão a tirar o sono às entidades oficiais:
- A sangria do ISP: Uma fatia colossal do orçamento da Infraestruturas de Portugal (IP) depende diretamente dos impostos sobre a gasolina e o gasóleo. Com cada vez mais elétricos e híbridos plug-in no asfalto, a arrecadação fiscal está a cair a pique.
- O buraco projetado: As estimativas oficiais apontam para um rombo anual entre 140 e 200 milhões de euros nos cofres públicos se a frota elétrica chegar aos 20% ou 30% em 2030.
- A ganância das concessionárias: Até o presidente executivo da Brisa, António Pires de Lima, já veio esfregar as mãos com a ideia de aplicar taxas de utilização, enquanto os contratos de concessão das autoestradas se aproximam do fim e as operadoras procuram novas formas de cobrar portagens indiretas a quem circula.
E a desigualdade?
- Os carros novos não vão à inspeção: Um automóvel ligeiro novo só vai à primeira inspeção aos quatro anos, e depois de dois em dois anos até atingir os oito. Como é que cobram o imposto durante esse período? Vão inventar mais uma obrigação burocrática para inspecionar carros de seis meses?
- A desigualdade do território: Um trabalhador do interior do país ou da periferia que é forçado a fazer 80 ou 100 quilómetros diários porque não tem um único transporte público decente à porta vai pagar uma fortuna desproporcional em relação a quem vive no centro de Lisboa e anda de metro. É um castigo sem sentido.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Achas aceitável que o Estado comece a cobrar uma taxa por cada quilómetro percorrido pelos carros elétricos nas inspeções, ou isto é a prova definitiva de que a conversão ecológica serviu apenas como isco até encontrarem uma nova forma de ir ao bolso dos condutores?








