Os carros elétricos dão muito que falar, especialmente quando se fala da sensação de velocidade imediata. Ou seja, pisas o pedal e o carro dispara que nem um míssil, colando-te ao banco de forma instantânea.
Claro que isto já não acontece em todos os elétricos, e acontece de forma muito diferente até nos modelos mais poderosos. Ainda assim, o binário instantâneo continua a ser uma das grandes vantagens da motorização elétrica.
A questão é, depois da aceleração inicial, a grande maioria dos elétricos acaba por não chegar às velocidades dos carros a combustão “de antigamente”. A grande maioria dos carros elétricos de gama baixa e gama média fica nos 150 ou 160 km/h, enquanto os mais poderosos costumam ficar agarrados aos 180 km/h.
Ou seja, se fores daqueles que gosta de esticar a máquina como se estivesses numa autoestrada alemã, rapidamente bates contra uma parede invisível. O que levanta a questão… Porque é que isto acontece, quando um simples Golf vai facilmente aos 220 ou 230 km/h?
O problema vem da base!
Portanto, ao contrário dos carros a combustão tradicionais, que usam caixas de velocidades com cinco, seis ou mais relações para gerir o esforço do motor, a esmagadora maioria dos automóveis elétricos utiliza uma transmissão de velocidade única (monomarcha). Isto é excelente para te dar aquele binário imediato a partir das 0 RPM e uma aceleração linear sem soluços, mas cria um problemas a alta velocidade.
Ou seja, como não há uma mudança mais alta para engrenar e acalmar o motor, para o carro continuar a ganhar velocidade, o motor elétrico é obrigado a girar a rotações absurdamente elevadas.
Assim, se as marcas não metessem um travão eletrónico na velocidade máxima, o motor entraria numa zona vermelha perigosa. Arriscando-se a sofrer danos físicos graves, desmagnetização ou simplesmente a desfazer-se por completo devido à força centrífuga.
Depois temos a bateria que a altas velocidades derrete a autonomia
Dito tudo isto, o grande vilão dos elétricos a alta velocidade dá pelo nome de resistência aerodinâmica. O arrasto do ar aumenta de forma exponencial à medida que aceleras. Circular de forma contínua acima dos 120 km/h exige um esforço monumental da bateria, o que drena a carga a uma velocidade assustadora e destrói por completo a autonomia estimada do carro.
Para além disso, puxar tanta energia de forma contínua gera um pesadelo térmico. O pack de baterias e o inversor começam a aquecer, ativando os sistemas de refrigeração ao máximo.
Por isso, limitar a velocidade de ponta ajuda a manter a gestão térmica sob controlo. Evitando a degradação precoce das células da bateria e garantindo que o carro não entra em modo de segurança a meio da viagem.
Além de tudo isto, este limite também protege os próprios pneus, que nos elétricos são desenvolvidos especificamente para lidar com o peso extra e têm índices de velocidade máxima bem definidos.
No fim do dia, a velocidade máxima dos elétricos é sacrificada pela fiabilidade, da segurança e do bom senso.






