A transição para os veículos 100% elétricos traz vantagens inegáveis no binário instantâneo e nos custos de manutenção, mas nem tudo são rosas para quem vai sentado no banco do passageiro. Os carros são bastante diferentes face aos modelos a combustão, especialmente naquilo que mais interessa, o ir do ponto A para o ponto B. De facto, há um fenómeno curioso que afeta cada vez mais pessoas e não é apenas impressão tua: as náuseas a bordo de um EV são bem reais.
Existem várias razões para isso. Algumas são consequência da modernização, e de falta de habituação. Outras, são porque o condutor não sabe o que está a fazer. Mas, a conclusão é sempre a mesma.
Conflito sensorial? Sim, é real!

Durante décadas, o nosso corpo habituou-se a antecipar o comportamento dinâmico de um automóvel através de pistas sensoriais. Estamos a falar do trabalhar do motor, a subida de rotações antes de uma ultrapassagem e as vibrações mecânicas da transmissão. Nos elétricos, essas referências simplesmente desapareceram.
Além disso, a ciência aponta para outro grande culpado que vai além da ausência de som e vibração. Que é a travagem regenerativa, ou a condução “one pedal”. Isto porque a desaceleração agressiva assim que o condutor levanta o pé do acelerador gera constantes transferências de massa para a frente, provocando aquele efeito de “iô-iô” que ataca em cheio o estômago de quem vai atrás.
O não saber conduzir também tem o seu impacto.
Um veículo elétrico não é igual a um veículo a gasolina ou gasóleo. Normalmente é muito mais pesado. Por isso, e dependendo do comportamento dinâmico do automóvel, não podes pisar o acelerador como se fosses o Max Verstappen. Quem vai ao teu lado, ou lá atrás, vai sofrer e bem com a deslocação de massa do veículo.
De facto, eu próprio já fiquei mal disposto em ensaios dinâmicos de um automóvel elétrico do segmento D, e quase estive para expulsar o colega que estava a conduzir do automóvel.
Diz-me tu: já sentiste essa sensação de enjoo ou desconforto quando andas de passageiro num elétrico, ou para ti a suavidade e o silêncio absoluto são exatamente o que sempre procuraste?







