Quando a Dacia anunciou, ou melhor, começou a mandar as primeiras pistas de que o Spring iria ter um sucessor construído sobre a mesma plataforma que deu vida ao Twingo, eu sou muito honesto… Pensei logo que íamos finalmente dar as boas-vindas ao primeiro elétrico a sério a bater nos 15.000€. Mas não. A realidade bateu à porta e a coisa não foi bem por aí.
Isso não aconteceu, e no fundo é uma autêntica pena para quem anda a fazer contas à vida para largar os combustíveis fósseis. Mas, a grande questão aqui é, por que raio não se conseguiu descer mais o valor?
Carro elétrico a 15 mil euros ainda é uma miragem em Portugal?

O Renault Twingo chegou ao mercado português ligeiramente acima dos 19 mil euros, um número bastante competitivo para um veículo 100% elétrico que já se comporta como um automóvel a sério no alcatrão. No entanto, dezanove mil paus ainda é uma quantia considerável para a carteira da maioria das famílias.
Com a Dacia metida ao barulho, era perfeitamente legítimo sonhar com um preço de arromba, capaz de manter a mesma base técnica a um custo ainda mais baixo.
Mas, a montanha pariu um rato na diferença de preço. O novo Dacia Spring arranca em Portugal nos 17.900€. Ou seja, estamos a falar de uma margem curta face ao primo francês. De facto, dificilmente alguém vai escolher o Spring em vez do Twingo apenas e só pela poupança na fatura. A decisão vai pesar muito mais pelo gosto pessoal no design ou pelo facto de a Dacia permitir carregar o carro de equipamento opcional sem fazer o valor final disparar para a estratosfera.
Aliás, tivemos oportunidade de questionar diretamente a equipa responsável pelo desenvolvimento do projeto, e a resposta à pergunta “Seria possível cortar mais no custo e aproximar o carro dos 15 mil euros?” não deixou margem para dúvidas:
- “Sim, era possível. Mas é fácil começar a cortar apenas por cortar e depois arruinar por completo a experiência de condução. Há certos limites e componentes essenciais que pura e simplesmente não podemos retirar de um automóvel moderno.”
O custo da bateria continua a ser o grande vilão?
Sim, ainda. O acumulador de energia continua a ser a peça individual mais pesada no orçamento de fabrico de qualquer veículo elétrico. A parte positiva é que este departamento nunca recebeu tanto investimento como agora, com a curva de preços a cair a olhos vistos de ano para ano.
Nos dias que correm, o custo médio global de um pack de baterias de iões de lítio anda fixado entre os 105 e os 108 dólares por kWh (qualquer coisa entre os 95€ e os 100€ por kWh), existindo inclusive relatórios da indústria a apontar para lotes pontuais abaixo dos 99 dólares. Para colocar isto em perspetiva, basta recuar dez anos: em 2016, o mesmo kWh custava cerca de 293 dólares à saída de fábrica. Falamos de uma descida brutal de quase 64% numa década.
Mas, não é só a bateria. Um automóvel moderno precisa de cumprir todas as normas e regulamentações da União Europeia. As exigências de segurança estrutural, os sistemas de auxílio à condução obrigatórios pela União Europeia e a inflação galopante das matérias-primas anularam parte desta folga. A fasquia dos 15 mil euros continua a ser a meta de ouro que todo o condutor deseja, mas os fabricantes ainda não encontraram a fórmula mágica para lá chegar sem transformar o veículo numa caixa de fósforos sem alma.
Antes de mais nada, o que pensas sobre tudo isto? Achas que os 17.900€ do novo Spring já são um valor justo para a realidade portuguesa, ou só dás o salto para a mobilidade elétrica quando aparecer um modelo fiável a bater nos 15 mil euros?






