Alugaste um carro nas férias, conduziste com todo o cuidado, entregaste-o e dias depois aparece uma cobrança no cartão por um risco, uma mossa ou um arranhão que juras que não fizeste. É uma das queixas mais comuns num carro de aluguer, e a sensação de injustiça é enorme. A boa notícia é que dá para te protegeres antes e contestar depois. Vê como.
Carro de aluguer? A regra de ouro, fotografa tudo, antes e depois
A tua melhor defesa constrói-se no momento em que pegas no carro. Antes de saíres do parque, inspeciona a viatura com calma e fotografa (ou filma) todos os ângulos, à frente, atrás, laterais, jantes, tejadilho, para-brisas e o interior. Garante que as imagens ficam com data e hora.

Se detetares qualquer dano já existente, por pequeno que seja, exige que fique registado no documento de entrega (o check-in) e guarda uma cópia. Não aceites um “não se preocupe, está registado” verbal, o que não está escrito, para efeitos de reclamação, não existe.
Na devolução, repete o ritual: fotografa o carro outra vez, de preferência com um funcionário presente, e pede sempre um comprovativo de entrega que ateste que o veículo foi devolvido sem danos novos. É este documento que trava cobranças-surpresa dias mais tarde.
Cuidado com a franquia e a caução
Ao alugar, percebe bem o que estás a assinar. A maioria dos contratos tem uma franquia, o valor máximo pelo qual és responsável em caso de dano e é frequente bloquearem uma caução no teu cartão como garantia. Os seguros de redução de franquia que a empresa vende ao balcão reduzem essa exposição, mas costumam ser caros; por vezes compensa mais um seguro de franquia contratado à parte, antes da viagem.

Lê também as cláusulas sobre danos que muitas vezes não estão cobertos, como jantes, vidros, tejadilho ou o interior são precisamente os pontos onde surgem cobranças inesperadas.
Cobraram-te um dano que não fizeste? Contesta
Se aparecer uma cobrança que não reconheces, não a aceites passivamente. Pede à empresa a justificação por escrito, com fotografias do alegado dano, a data em que se detetou e o orçamento da reparação. Compara essas imagens com as tuas do momento da devolução, se provares que o carro saiu intacto, tens um caso forte.
Se a empresa insistir sem provas convincentes, tens várias vias. Podes contestar a cobrança junto do teu banco ou emissor do cartão de crédito, sobretudo se o valor se debitou sem a tua autorização expressa. E podes reclamar formalmente através do Livro de Reclamações e, se necessário, recorrer à arbitragem de consumo para resolver o litígio sem ir a tribunal.
Guarda tudo até estar resolvido
Até o assunto se fechar, não deites fora nada: contrato, check-in e check-out, fotografias, emails e comprovativos de pagamento. É esse conjunto de provas que faz a diferença entre engolires uma cobrança injusta ou reaveres o teu dinheiro.
No fundo, alugar um carro com tranquilidade resume-se a um hábito: documentar o estado da viatura antes e depois. Cinco minutos de fotografias podem poupar-te centenas de euros e muita chatice.







