Já te aconteceu chegares ao parque de estacionamento do supermercado, pronto para estacionar, e dares de caras com um carrinho de compras abandonado no meio do lugar? Ou pior, veres alguém a esvaziar as compras para a mala do carro e a deixar o carrinho de compras encostado à porta do condutor vizinho, como se ele fosse invisível?
Um utilizador do Reddit Portugal lançou o debate esta semana num post que se tornou viral, questionando se esta atitude representa a prova de que “o preço de sermos civilizados passa por uma moeda de 50 cêntimos”.
Mas afinal, porque é que isto nos irrita tanto? E o que é que um simples carrinho diz sobre o nosso carácter?

Carrinho de Compras: o teste da autogovernação
Existe um conceito famoso na internet chamado “The Shopping Cart Theory” (A Teoria do Carrinho de Compras). A premissa é simples:
“O carrinho de compras é o teste decisivo para saber se uma pessoa é capaz de se autogovernar.”
A lógica é a seguinte: devolver o carrinho ao sítio certo é uma tarefa fácil e conveniente. Todos reconhecem que é a coisa “certa” a fazer. No entanto:
- Não é ilegal abandonar o carrinho.
- Não recebes multa se não o devolveres.
- Ninguém te vai dar um prémio se o devolveres.
Portanto, devolver o carrinho é o exemplo puro de fazer a coisa certa apenas porque é a coisa certa, sem esperares recompensa ou castigo. A teoria dita que quem não devolve o carrinho é incapaz de viver em sociedade sem ser forçado por leis ou ameaças.

A falácia do “Estou a dar emprego”
No debate aceso que se gerou na comunidade portuguesa, surgiu uma das desculpas mais comuns (e mais odiadas): “Eu deixo o carrinho aqui para dar emprego ao rapaz que os recolhe”.
Vamos ser honestos: isto não é altruísmo, trata-se de preguiça mascarada de caridade. O funcionário já tem o trabalho de recolher os carrinhos dos pontos de recolha e organizá-los. Obrigá-lo a correr o parque de estacionamento inteiro, desviando-se de carros em movimento, para apanhar o carrinho que deixaste a 10 metros do sítio certo, não é “criar emprego”. É apenas falta de civismo.
O sintoma de um problema maior?
Entretanto o autor do post no Reddit vai mais longe e liga este comportamento a outros “clássicos” da falta de noção em Portugal:
- Pessoas que marcam mesas na praça de restauração em hora de ponta sem terem comida, enquanto quem já tem o tabuleiro na mão não tem onde se sentar.
- Condutores que estacionam em cima do passeio, bloqueando a passagem a peões e carrinhos de bebé.

