Quem compra um 100% elétrico depressa percebe que o ar condicionado no verão, os ecrãs do tablier e todos os sistemas auxiliares estão sempre a “morder” preciosos quilómetros de autonomia à bateria principal. São números que acumulados ao longo de anos, podem fazer a diferença.
Por isso, apesar do facto de os painéis solares ainda não conseguirem dar sumo suficiente a uma bateria de grandes dimensões, podem muito bem ter responsabilidade menores, mas ainda assim muito importantes.
É exatamente por isso que a gigante chinesa Fuyao Group (uma das maiores fornecedoras de vidro automóvel do planeta) acaba de anunciar que está pronta para iniciar a produção em massa de tetos de abrir fotovoltaicos.
Aqui não estamos a falar de painéis solares feios colados na chapa, mas sim de vidro laminado transparente com células solares embutidas, desenvolvido em parceria estreita com a BYD para equipar modelos como o Han e o Tang.
720W no teto: Uma gota no oceano?

Portanto, antes que a malta comece já a sonhar com viagens infinitas sem nunca parar num posto de carregamento, convém pôr os pés na terra e olhar para a física.
Os relatórios da indústria apontam para uma potência máxima a rondar os 720 Watts neste teto de vidro.
Numa autoestrada a 120 km/h, um automóvel elétrico precisa de dezenas de quilowatts de potência contínua para se deslocar, pelo que a energia solar gerada pelo teto é incapaz de mover o carro sozinha.
No entanto, o segredo está no consumo periférico. Ao alimentar diretamente a climatização, a iluminação interior, as câmaras de segurança e o sistema de infoentretenimento. O teto fotovoltaico alivia o esforço exigido à bateria de tração. Por isso, em viagens longas debaixo do sol português ou no trânsito pára-arranca da cidade, isso pode traduzir-se em dezenas de quilómetros ganhos. Isto sem gastares um cêntimo da rede elétrica.
A diferença face à Toyota e a aposta nos 100% elétricos?
Esta ideia não nasce do zero. A Toyota já oferece uma solução de teto solar como opcional no Prius Prime há alguns anos, mas há uma diferença crucial de abordagem. No híbrido plug-in japonês, o sistema funciona quase exclusivamente como um gotejador de carga lenta quando o carro está estacionado ao sol. Na solução da Fuyao com a BYD, o vidro foi concebido para fornecer energia contínua e estável enquanto o veículo está em circulação na estrada.
No fundo, é uma tecnologia mais madura, e por isso superior.
Resta agora saber quanto é que a BYD vai cobrar por este extra quando o disponibilizar em catálogo e se o ganho real de autonomia compensa a fatura adicional. Mas numa altura em que cada quilowatt-hora conta para evitar a ansiedade de autonomia… Integrar células solares invisíveis no próprio vidro do tejadilho é o tipo de engenharia inteligente que queremos ver massificada.







