Durante anos, a ideia de carregar um carro elétrico enquanto ele andava parecia conversa de ficção científica, de filme passado nos anos 2100. Ou seja, uma ideia bonita em apresentações, mas claramente impossível no mundo real. Pois bem, a Flórida decidiu levar a ideia a sério e pô-la literalmente no asfalto.
Ou seja, está a ser construída uma nova estrada que não serve apenas para escoar trânsito. Vai também carregar veículos elétricos em andamento, sem cabos, sem paragens e sem fichas.
Como funciona esta estrada “inteligente”?

Portanto, a State Road 516, uma nova via com cerca de 7 km, vai incluir um troço experimental de carregamento sem fios a partir de junho de 2026. Estamos a falar de cerca de 1.2 km de faixa com bobinas de carregamento por indução instaladas debaixo do asfalto.
Estas bobinas criam um campo magnético capaz de transferir até 200 kW de potência para veículos compatíveis enquanto circulam normalmente. Como é óbvio, a ideia não é carregar a bateria do zero, porque isso seria impossível. Mas, é possível não gastar energia, e ainda meter alguma coisa nas baterias.
Na prática, é como ter um carregador rápido incorporado na estrada.
Teste em condições reais, não em laboratório
Tecnologias semelhantes já foram testadas noutros países, mas quase sempre em ambientes controlados, a baixas velocidades ou em pistas fechadas. Aqui, o objetivo é testar tudo em contexto real, com tráfego normal e velocidades de autoestrada.
Se funcionar como esperado, esta solução pode atacar três problemas clássicos dos elétricos de uma só vez. Estamos a falar da ansiedade de autonomia, tempos de carregamento e falta de postos em vias rápidas.
O problema que não dá para ignorar
Há um grande entrave. Para já, só veículos preparados para este tipo de carregamento vão beneficiar. A maioria dos elétricos atualmente em circulação não tem o hardware necessário para receber energia por indução.
Depois surgem as questões habituais… Custos de implementação, normalização da tecnologia e compatibilidade entre marcas. Em alguns países como Portugal, seria necessário mandar muita coisa abaixo para implementar algo como isto.
Por exemplo, A1 seria obviamente a escolha perfeita para um projeto destes. Mas, o custo de implementação seria quase inacreditável. E o tempo de paragem da obra também.
Só para teres ideia, este projeto significa um investimento de 500 milhões de dólares. A conclusão deve acontecer apenas em 2029. Porquê tanto dinheiro? Bem, para além do carregamento sem fios, que deve ficar pronto mais cedo, o projeto inclui painéis solares, passagens para vida selvagem e vias partilhadas para outros utilizadores.
É, no fundo, uma montra do que pode vir a ser a infraestrutura rodoviária do futuro.

