Hoje em dia, olhas para a montra de uma loja, ou vais tentar estar atento aos mais recentes lançamentos, e vais imediatamente notar que… É tudo igual. Vá, temos de ser honestos, os novos Folds com formato de passaporte mudaram um bocadinho o jogo. Mas, a realidade é que os dobráveis continuam a ser um nicho, e pior que isso, são um nicho caro.
Mas, existe de facto uma novidade no mundo mobile. Provavelmente não vai vender grande coisa, e talvez nem nunca vejas um ao vivo. Ainda assim, é prova de que ainda existe uma réstia de esperança no mundo do design e uso no dia-a-dia.
Cansado de telemóveis iguais? Apareceu uma coisa diferente!

Portanto, a fabricante Ikko decidiu mandar as regras às malvas e criou o MindOne Pro, um smartphone quadrado do tamanho de um cartão multibanco, com uma única câmara rotativa de 50 MP e uma grande aposta em inteligência artificial.
De facto, o conceito parece saído de um laboratório de maluquices do início dos anos 2000, mas isso tem a sua piada.
Ou seja, em vez de meter sensores banais na frente e na traseira, a marca meteu um olho ciclope que roda mecanicamente. Queres tirar uma fotografia ao que tens à frente? A câmara está apontada para a frente. Queres uma selfie? Ela vira-se para ti e ficas com a resolução máxima do sensor Sony de 50 MP para o teu rosto.
Como estamos de especificações?
O aparelho tem um ecrã AMOLED de apenas 4 polegadas e um formato totalmente quadrado. É basicamente a mesma sensação de usar o pequeno ecrã exterior de um Galaxy Z Flip, mas sem a possibilidade de o abrir para um painel maior. Para provar a sua resistência, o aparelho foi parar às mãos do famoso canal JerryRigEverything, e confirmou-se uma das suas maiores promessas: a proteção do ecrã é feita em vidro de safira genuíno, algo que raramente vemos fora do mundo dos relógios caros.
Infelizmente, a durabilidade fica por aí. A própria câmara rotativa não tem proteção de safira, a certificação contra poeiras e salpicos fica-se por um modesto IP54 e o motor de rotação deixa sempre aquela dúvida no ar sobre quantas quedas no chão aguenta antes de encravar de vez.
IA a sério?
Por dentro encontramos um processador modesto da MediaTek (o chip 8781), compatibilidade com cartões nano SIM e vSIM, e uma promessa surreal: “internet gratuita vitalícia”, mas apenas para aceder aos serviços de IA da marca.
O sistema corre sobre Android, mas vende-se como um aparelho orientado a agentes autónomos e inteligência artificial.
O problema? Nos testes práticos, a tal inteligência artificial demora tanto tempo a responder que o utilizador comum prefere abrir o navegador à mão ou pegar num telefone normal. É mais uma tentativa de vender a febre da IA num formato exótico que, na hora da verdade, tropeça na lentidão e na falta de utilidade diária.
Entretanto, o Ikko MindOne Pro já está em pré-venda por cerca de 380€ (324 libras no Reino Unido), tendo até um teclado físico destacável para quem sente saudades da era BlackBerry. É um objeto bizarro, cheio de compromissos e longe de ser uma recomendação segura para o dia a dia.
Mas, num mundo dominado pelo comodismo de marcas como a Samsung ou a Apple, ver alguém com coragem de lançar uma engenhoca tão diferente e doida é algo que dá sempre gosto acompanhar.








