A guerra do futebol contra a pirataria acaba de ganhar um novo aliado de peso. O gigante francês Canal+ e a liga espanhola LaLiga assinaram um acordo antipirataria que abrange cerca de 50 países, uma aliança que promete apertar o cerco às transmissões ilegais de jogos. Mas, antes de tirar conclusões, há um ponto importante para os adeptos portugueses. Portugal não foi identificado como um dos mercados abrangidos.
O que foi assinado neste acordo da IPTV e pirataria
O acordo, anunciado a 11 de setembro, junta as duas organizações nos mercados onde o Canal+ transmite o campeonato espanhol, na Europa, África subsariana e Haiti. Na prática, as duas empresas vão:
- Partilhar tecnologia antipirataria (juntar as ferramentas de deteção de cada uma).
- Fazer investigações conjuntas às redes que distribuem sinal ilegal.
- Coordenar pressão sobre reguladores e legisladores para endurecer as regras.
Não se revelaram os valores do negócio nem a lista completa de países. “O próximo passo imediato é juntar as nossas equipas a trabalhar em conjunto”, explicou o presidente do Canal+, Maxime Saada.

Porque é que as ligas estão tão empenhadas nisto
A razão é simples: dinheiro. Os direitos televisivos são uma das principais fontes de receita do futebol, e a pirataria corrói-a. Segundo a LaLiga, a receita audiovisual dos clubes profissionais espanhóis caiu 5,2% na época 2024/25, para 1,43 mil milhões de euros, ao ponto de a receita comercial ter ultrapassado a televisiva como maior fonte de rendimento.
O presidente da LaLiga, Javier Tebas, resumiu a estratégia: em praticamente todas as negociações de direitos no mundo, a pirataria é hoje um tema central. E o Canal+ estima que, só em França, a pirataria “apague” 1,5 mil milhões de euros de valor por ano.
O que isto significa (e o que não significa) para Portugal
Aqui é preciso rigor, para não haver alarmismos. Este acordo reforça a pressão europeia para acelerar o combate às transmissões ilegais de desporto em direto, uma tendência que já vem de trás. Mas, no que toca a Portugal:
- Portugal não surge individualmente como um dos mercados abrangidos por este acordo.
- Não se anunciou qualquer alteração imediata aos serviços portugueses, aos preços das transmissões ou à forma como se bloqueiam os sinais ilegais.
- Não há qualquer indicação de que os utilizadores portugueses vão ser “apanhados” de forma automática, nem de que começam novos bloqueios já este fim de semana.
O que este tipo de acordos tende a fazer, a médio prazo, é aumentar a pressão sobre operadoras e reguladores por toda a Europa e é nesse contexto mais amplo que Portugal se insere, como qualquer outro país da UE.
Parte de uma tendência maior
Este pacto junta-se a um movimento europeu cada vez mais forte contra a pirataria desportiva, o mesmo que levou a LaLiga a apostar em tecnologia de inteligência artificial (desenvolvida, curiosamente, por uma empresa portuguesa) e que motivou um recente estudo do Parlamento Europeu sobre os bloqueios. O rumo é claro: as ligas e as operadoras querem tornar cada vez mais difícil ver futebol de forma ilegal.
Entretanto fica, como sempre, o aviso de bom senso: para lá das questões legais, as IPTV e os sites de streaming pirata são um íman para malware e roubo de dados, o “grátis” costuma sair caro em segurança.






