Hoje em dia, é fácil dizer que o smartphone “matou” o mercado de câmaras dedicadas. Mas, ainda há quem prefira ter o produto dedicado, em vez de fazer tudo a partir do telemóvel. De facto, ainda parece existir algum espaço para produtos como este, desde que bem pensados, e claro, a valores que não destruam contas bancárias.
Dito tudo isto, se perguntares a qualquer entusiasta de tecnologia quais são as câmaras fotográficas que mais vendem no mercado, a resposta é quase automática. Vão falar da Sony e da Canon, o que faz algum sentido. Os entusiastas estão todos deste lado. Mas, não é de entusiastas que se faz um mercado.
Ao longo dos últimos dois anos, as câmaras digitais mais vendidas do planeta não custam milhares de euros nem usam lentes profissionais. São duas máquinas compactas baratíssimas da velhinha Kodak: a PixPro FZ45 e a FZ55.
Assim, numa altura em que qualquer smartphone de topo já custa mais de 1000€ e processa as fotos com Inteligência Artificial até parecerem postais artificiais e perfeitos demais, o público jovem decidiu fazer o caminho inverso. As velhas câmaras de apontar e disparar (point-and-shoot) voltaram com uma força brutal, e a Kodak está a faturar como nunca à conta dessa mesma loucura.
Uma foto não tem de ser perfeita. Sabias? (Podes encontrar a câmara aqui).

Como é óbvio, a Kodak PixPro FZ45 não produz imagens com uma qualidade soberba.
Qualquer smartphone banal de gama média consegue tirar fotografias com melhor alcance dinâmico e menos ruído à noite. Mas a questão é que ninguém está a comprar estas câmaras à procura de perfeição.
A geração mais nova apaixonou-se pela estética lo-fi, pelas fotos com aquele grão característico do início dos anos 2000 e pelo aspeto cru que sai direto do sensor de 16 megapixels.
De facto, há todo um apelo nostálgico em carregar uma caixinha de plástico leve no bolso, puxar pelo zoom ótico real de 4x (ou 5x no caso da FZ55) e sentir o clique de um botão físico dedicado em vez de tocar num ecrã de vidro.
E depois… Há o preço. Que dá vontade de experimentar.

O sucesso estrondoso destas pequenas máquinas também se explica pelo peso da marca.
Câmaras compactas baratas vindas da China sempre existiram aos pontapés nos marketplaces, mas ver o logótipo amarelo e vermelho da Kodak estampado na carcaça dá logo outra confiança ao consumidor comum que só quer levar uma câmara gira e colorida para festivais de verão ou viagens de fim de semana com amigos.
No fundo, o fenómeno prova que a fotografia digital não precisa de ser complicada, nem de obrigar ninguém a vender um rim para ter um aparelho dedicado. Às vezes, ter um produto simples, descomplicado e que entrega um resultado visual diferente… Vale tudo. Dito tudo isto, podes comprar por pouco mais de 100€ na Amazon.
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