Durante anos, o café foi tratado com desconfiança nos consultórios: “faz mal ao coração”, “acelera-te o pulso”. Agora, uma nova e importante declaração científica da American Heart Association (AHA) vem virar essa ideia do avesso, para a maioria dos adultos, o café até pode ser bom. Mas para nós, que vivemos de café, há um detalhe específico que vale mesmo a pena conhecer. E tem que ver com o colesterol. Assim tem atenção a isto se bebes café todos os dias.
Bebes café todos os dias? A grande reviravolta
A declaração, publicada em julho de 2026 na revista Circulation, conclui que beber até cerca de 400 mg de cafeína por dia, o equivalente a umas cinco chávenas de café, é geralmente seguro para a maioria dos adultos saudáveis. Mais do que isso: em vários grandes estudos, o consumo habitual de café aparece associado a um menor risco de insuficiência cardíaca, doença coronária e AVC.

Há, claro, uma condição: os benefícios ligam-se ao café simples. Assim que lhe atiras açúcar e xaropes, anulas boa parte da vantagem. Mas a mensagem de fundo é clara, aquele velho aviso de que “o café faz mal ao coração” já não se sustenta.
O senão para quem bebe café: o café não filtrado
Aqui está a parte que nos interessa diretamente. Onão filtrado, a bica, o da cafeteira italiana, o turco, contém dois compostos presentes nos óleos do grão, o cafestol e o kahweol, que fazem subir o colesterol LDL (o “mau”), ao dificultar que o fígado o remova do sangue.
O truque está na preparação. Um filtro de papel retém quase todo o cafestol, pelo que o café de filtro e o café instantâneo praticamente não têm este efeito. Curiosidade que confirma a explicação: mesmo o descafeinado não filtrado sobe o LDL, prova de que o responsável é o óleo do café, não a cafeína.
Antes de despejares a bica pelo cano abaixo
Calma, isto não é motivo para deixares o café. A proporção importa, e muito. O efeito é modesto e depende da dose: pesa sobretudo para quem bebe muito café não filtrado por dia e já tem o colesterol alto ou histórico familiar. Um estudo mostrou uma subida de cerca de 9% no LDL ao fim de seis meses a beber café de prensa francesa todos os dias, e a preocupação real começa a partir de vários copos de café não filtrado diários.

Uma bica é uma dose pequena, e estamos a falar de associações a nível populacional, não de uma sentença individual. Como sublinham os próprios especialistas, é informação a ter em conta se o colesterol anda no teu radar, não uma ordem para parar.
O que fazer, na prática
Se o teu colesterol está bem, aproveita com moderação e sem culpa. Se o LDL é uma preocupação, valores altos, histórico na família, ou bebes muitas por dia, tens opções simples. Alternar com café de filtro ou instantâneo, que não trazem cafestol; e, acima de tudo, medir. Verifica o teu colesterol, ajusta o hábito e volta a medir passado umas semanas. E corta no açúcar e nos xaropes, que deitam por terra qualquer benefício.
Um aviso à parte: energéticos não são café
Atenção a uma confusão comum: as bebidas energéticas e os “shots” de energia não entram nesta conta. Concentram três a quatro vezes mais cafeína por volume e foram associados a subidas de tensão e a arritmias. O “até cinco cafés por dia” não se estende a esses produtos. E quem sente palpitações, tem problemas de sono, tensão alta descontrolada ou está grávida deve falar com o médico sobre o que é adequado ao seu caso.







