No dia 2 de Outubro, escrevi um artigo a passar a ideia de que nem Salvaterra de Magos, uma pequena vila ribatejana, se safava do esquema de roubo de cabos de carregadores elétricos, que quase sempre tem o objetivo da revenda do cobre do seu interior. Pois bem, apenas ontem (24 de Fevereiro) o último carregador ainda offline foi finalmente arranjado e posto ao dispor de todos os condutores de veículos elétricos.
Isto significa que foram precisos mais de 3 meses para retomar a normalidade. É… Ou pelo menos deveria de ser… Inaceitável.
Cabos Roubados? Foram precisos mais de 3 meses para arranjar tudo!
Portanto, em Salvaterra, na altura dos roubos de cabos, existiam dois carregadores rápidos, o do LIDL (que finalmente recebeu manutenção durante o dia de ontem) e o da BP, que foi arranjado de forma bastante mais célere.
Ainda assim, no caso da BP foram necessários quase 2 meses, e no caso do LIDL, mais um bocadinho e ainda se tocava nos 4 meses. É muito tempo.
Pessoalmente, eu percebo que não seja fácil trocar as coisas de forma atempada, especialmente quando este fenómeno não acontece apenas numa pequena vila ribatejana. Acontece em muitas localidades ao mesmo tempo. Entre stock de cabos, e problemas com as autoridades para tentar ir buscar dinheiro a seguros, é necessário seguir vários procedimentos que nem sempre são fáceis.
Mas a verdade é simples. Três meses numa localidade pequena significam três meses em que quem depende daqueles pontos tem de fazer mais quilómetros, perder mais tempo, ou simplesmente mudar rotinas. Para quem está a tentar fazer a transição para o elétrico, este tipo de situação não ajuda nada.
Ficou tudo igual? Não!
Além de vigilância ativa e cabos mais resilientes a cortes em ambos os postos afetados, a realidade é que a equipa responsável pelo carregador do LIDL não montou os 3 cabos originais. Apenas montou o cabo AC (Type 2 – 20kW) e o cabo CCS (50kW). Isto significa que a saída ChadMO ficou de fora. De facto, muito provavelmente por não valer o investimento.
Faz sentido! O padrão ChadMO está claramente em queda e já quase ninguém compra carros novos com esse conector. Por outro lado, mostra como um roubo acaba por acelerar a “limpeza” natural do mercado, onde só fica aquilo que compensa financeiramente manter.
No fim do dia, ficou tudo operacional outra vez. Mas ficou também a sensação de que basta uma tesoura e meia dúzia de minutos para deixar uma vila inteira limitada durante meses.










