É uma daquelas coisas que toda a gente já viu e que, de facto, vê todos os dias, mas poucos percebem o porquê. Temos cabos enrolados em todas as paredes, mal montados, em todas as nossas ruas, naquilo que é uma coisa… bem… feia. Não tem a mesma gravidade em todo o lado, mas é inegável que, no fim do dia, é poluição visual.
Isto é normalmente mais grave quando se fala de cabos de comunicação. Rolos enormes de fibra ótica presos às paredes ou em postes, com metros de cabo só porque sim. Pois, a realidade é que isto não acontece apenas e só por preguiça. Há razões técnicas.
Aquilo chama-se “loop técnico”

Grande parte desses rolos são folgas técnicas.
Isto porque, quando se instala fibra ótica, não se pode simplesmente esticar o cabo ao milímetro. A fibra é sensível a curvaturas demasiado apertadas e não gosta de ser tensionada ao limite. Se for preciso reparar, mover um terminal ou refazer uma ligação, é preciso ter margem de manobra.
Assim, estes rolos servem para:
- Permitir descer o cabo ao nível do chão para manutenção
- Fazer futuras fusões ou expansões da rede
- Corrigir danos causados por tempestades ou obras (ou alguém que decidiu cortar a fibra)
- Cumprir exigências de projeto em troços longos
Ou seja, se o cabo fosse cortado “à medida” e ficasse curto, qualquer intervenção obrigava a substituir troços inteiros. Sai mais caro, demora mais tempo e cria mais interrupções.
Mais vale sobrar do que faltar.
Mas porque é que parece tudo tão desorganizado?
Aqui entramos noutra conversa.
Portugal tem uma mistura complicada de fatores:
- Edifícios antigos que nunca foram preparados para telecomunicações modernas
- Redes que cresceram à pressa nos últimos 20 anos
- Vários operadores a instalar a sua própria infraestrutura (os seus próprios cabos)
- Falta de… cuidado.
Em urbanizações recentes, quase tudo está subterrâneo, graças às regras ITED e ITUR. Em prédios antigos, muitas vezes não há condutas internas suficientes. Resultado? Vai pela fachada.
Porque não enterrar tudo, como no norte da Europa?
É possível.
Mas é caro. Muito caro.
Enterrar cabos implica abrir valas, obter licenças, coordenar com câmaras municipais, lidar com burocracia e prazos. Em muitos casos, a linha telefónica antiga já lá estava há décadas e ninguém quis investir numa substituição estrutural completa.
O que temos à vista são soluções rápidas, baratas e funcionais.








