A BYD é vista por muitos como a Tesla vinda da China, com a grandiosa missão de oferecer veículos 100% elétricos, bem equipados, a preços que de facto fazem sentido. Mas, a BYD fez uma coisa que a Tesla não fez, nem nunca vai fazer. Lançou automóveis híbridos.
Coisa muito interessante, porque durante muitos anos, os híbridos plug-in foram vistos como um compromisso. Nem totalmente elétricos, nem totalmente a combustão. Com algumas vantagens claro, mas também com todos os defeitos dos dois lados. Mas, a verdade é que a BYD conseguiu transformar essa ideia numa proposta muito mais coerente com a tecnologia DM-i.
BYD não é só elétricos, também é Super Híbridos. O que é isto?
Afinal, o que é o DM-i? E porque é que tanta gente o está a escolher? Afinal de contas, já existem milhões de carros equipados com este sistema nas estradas, e ao que tudo indica, a aposta só vai subir de nível ao longo dos próximos meses/anos.
Pois bem, DM-i significa “Dual Mode Intelligent”. É o sistema híbrido plug-in da BYD, porém com uma filosofia diferente da maioria.
Ou seja, enquanto muitos PHEV tradicionais deixam o motor a combustão liderar e o motor elétrico apenas assistir, o DM-i faz precisamente o contrário. Aqui, a prioridade é elétrica. Ou seja, o motor elétrico trata da maioria da condução diária. O motor a gasolina entra em cena principalmente para gerar energia ou apoiar a velocidades mais elevadas.
Ou seja, em cidade, o comportamento é praticamente o de um elétrico puro. Silencioso, suave e com resposta imediata.
Mais concretamente, qualquer plug-in hybrid combina bateria, motor elétrico e motor a combustão. Pode ser carregado na tomada e fazer deslocações diárias só em modo elétrico. Quando a bateria baixa, o motor a gasolina entra em ação.
Para muitos condutores, é a ponte ideal entre o mundo tradicional e o 100% elétrico.
O DM-i pega nesse conceito e empurra-o mais para o lado elétrico.
O sistema alterna automaticamente entre quatro estratégias de funcionamento, dependendo da velocidade, da carga da bateria e da exigência do condutor.
- Em cidade, funciona maioritariamente em modo elétrico puro.
- Entre 50 e 80 km/h, o motor a combustão pode funcionar apenas como gerador, alimentando o sistema elétrico sem ligar diretamente às rodas.
- Em autoestrada, acima dos 80 km/h, o motor pode ligar-se diretamente às rodas para maximizar eficiência.
- Em aceleração forte ou subida, motor elétrico e motor a combustão trabalham em conjunto.
Dito tudo isto, a transição é feita de forma quase impercetível. Onde o objetivo é manter sempre a sensação de condução elétrica, mas com a segurança de autonomia longa.
Como são os consumos?
A quinta geração do DM-i, lançada em 2024, pode atingir consumos tão baixos como 2.6 L/100 km com bateria baixa. Dito isto, em ciclo combinado, há modelos a prometer até 2.100 km de autonomia total com depósito cheio e bateria carregada.
A ideia aqui também é anular um pouco o grande problema do PHEV. Por isso, mesmo sem carregar regularmente, os consumos mantêm-se muito abaixo face a um carro a gasolina tradicional. (Em uso diário, muitos condutores conseguem médias entre 3 e 5 L/100 km.)
O mundo ainda não é 100% elétrico.
Nem todos os condutores querem um 100% elétrico, porque não conseguem adaptar a sua vida às exigências dessa motorização.
Dito isto, o DM-i não tenta substituir o elétrico puro. Tenta torná-lo mais acessível no dia a dia. Permite condução elétrica na maioria dos trajetos urbanos, mas sem ansiedade de autonomia em viagens longas.
No fundo, resolve um problema real para utilizadores reais. Ao mesmo tempo que vai mais além do Plug-In mais tradicional.









