A BYD poderá estar a estudar uma entrada no desporto motorizado, incluindo Fórmula 1 e também provas de resistência como o WEC. A informação foi avançada pela Bloomberg, que refere que a marca chinesa está a avaliar várias opções para reforçar a sua imagem global, numa altura em que continua a crescer fora da China e em que o automobilismo está cada vez mais alinhado com soluções híbridas.
Mas há um detalhe muito importante. Não existe qualquer decisão tomada nesta altura. Ou seja, a BYD pode até optar por não avançar para competição nenhuma.
Não faria mais sentido Fórmula E?
Existe um campeonato pensado especificamente para carros elétricos, por isso, no final do dia, poderia fazer mais sentido ver a BYD na Formula E e não na Fórmula 1. Mas… A realidade é que a própria BYD se quer afastar da imagem de fabricante exclusivamente focada em carros elétricos. A BYD também tem híbridos, e de facto anda a apostar forte e feio neste tipo de motorização.
Por isso, como a F1 também utiliza sistemas híbridos e caminha para um equilíbrio cada vez maior entre potência elétrica e potência térmica, pode ser uma ideia muito interessante para a BYD. Especialmente porque, além de tudo isto, a F1 é obviamente muito mais popular e mediática do que a FE.
Mas… Entrar na F1 custa muito dinheiro. Mesmo muito
O problema é que entrar na Fórmula 1 não é como lançar mais um SUV ou mais uma berlina elétrica.

Segundo a informação partilhada, montar uma operação completa na F1 de raiz pode custar até 500 milhões de euros por temporada, entre desenvolvimento, estrutura técnica, negociações, pessoal e tudo o resto que gira à volta da categoria.
Dinheiro a BYD tem. Mas meter dinheiro na Fórmula 1 não significa entrada garantida nem sucesso imediato.
Além disso, criar uma equipa do zero continua a ser um processo complexo, lento e politicamente pesado. Por isso mesmo, muita gente acredita que, se a marca avançar, o caminho mais lógico pode passar por:
- comprar uma equipa já existente (como a Audi fez ao assumir o controlo da Sauber)
- entrar como parceira técnica (como a Ford fez com a Red Bull Powertrains ou a Toyota com a Haas)
- começar como patrocinadora forte antes de dar um passo maior (algo relativamente comum no paddock, e tal e qual como a Aston Martin fez há alguns anos com a Red Bull)
É precisamente por isso que alguns fãs começaram logo a apontar para equipas como a Alpine, que têm vivido uma fase de maior instabilidade dentro da estrutura Renault. Não porque exista uma negociação confirmada, mas porque no mundo da Fórmula 1 este costuma ser o caminho mais realista para novas marcas entrarem no desporto.
A própria F1 também teria muito a ganhar
Convém olhar para isto dos dois lados.
A entrada de uma fabricante chinesa gigante seria excelente para a Fórmula 1. Não apenas pelo investimento financeiro, mas também pelo mercado que representa.
A China continua a ser um dos maiores mercados automóveis do planeta, e a popularidade da F1 no país voltou a crescer com o regresso de Xangai ao calendário e com toda a atenção mediática em torno de Zhou Guanyu, o primeiro piloto chinês da grelha moderna.
Mesmo não estando atualmente na grelha principal, Zhou continua ligado ao paddock e ajudou a aumentar significativamente o interesse do público chinês pela categoria.
Por isso, se a BYD quisesse mesmo entrar, dificilmente seria ignorada.
Mas… Há contras!
Muito honestamente, não é difícil imaginar alguma resistência inicial dentro do paddock. A Fórmula 1 continua a ser um desporto extremamente fechado, onde os construtores atuais têm sempre algo a dizer quando surgem novas equipas.
Além disso, a entrada de uma nova equipa significa diluir prémios financeiros e receitas comerciais pelos participantes existentes.
Aliás, é inegável que a F1 sempre quis marcas como a Audi e a Porsche na sua grelha, e como tal fará sempre tudo para manter essas marcas satisfeitas dentro do ecossistema da categoria.
Vai acontecer?
A BYD está a explorar possibilidades. Explorar não é entrar. Explorar pode significar apenas reuniões, apresentações internas, contas, estudos de mercado e conversas com pessoas ligadas ao paddock.
Por isso, transformar isto já numa certeza seria um erro.
Ainda assim, há uma conclusão óbvia. Quando uma marca como a BYD começa sequer a olhar para a Fórmula 1, isso diz muito sobre o peso que a empresa já tem no mundo automóvel e sobre a direção que o próprio desporto está a seguir.
Se vai comprar uma equipa, criar um projeto próprio ou simplesmente deixar cair a ideia, isso ainda ninguém sabe. Mas uma coisa é certa. Se a BYD entrar mesmo na Fórmula 1, ninguém vai poder continuar a fingir que a marca é apenas mais uma fabricante chinesa a vender carros baratos.








