A GNR emitiu um alerta para uma nova burla de pessoas desaparecidas que anda a espalhar-se em Portugal e que explora, da forma mais cruel possível, a angústia de famílias que procuram um ente querido. O esquema aproveita-se da própria divulgação pública do caso para construir uma história falsa e assustadoramente credível.
Como começa a burla
Segundo a Guarda Nacional Republicana, tudo começa quando familiares ou amigos recorrem às redes sociais, a grupos de vizinhança ou a outros meios públicos para pedir ajuda a localizar alguém. É precisamente essa exposição, feita com a melhor das intenções, que fornece aos criminosos a matéria-prima de que precisam: fotografias da pessoa, características físicas, o local e as circunstâncias do desaparecimento e, em muitos casos, até contactos diretos de familiares.

Uma narrativa construída com informação real
Com esses dados reunidos, os burlões montam um guião que mistura factos verdadeiros com mentiras cuidadosamente pensadas. De acordo com a GNR, podem afirmar ter informações sobre o paradeiro da pessoa, fazer-se passar por ela em conversas por mensagem ou, na variante mais perturbadora deste esquema, enviar imagens manipuladas que aparentam mostrar a vítima viva, mas ferida e isolada, sem qualquer assistência médica.
O objetivo é sempre o dinheiro
Por trás de toda esta encenação está sempre o mesmo propósito. Convencer a família a pagar. Depois de captar a atenção e a desesperança de quem procura um ente querido, os suspeitos pedem uma quantia em dinheiro em troca de mais pistas, de um encontro ou da garantia de que a pessoa está bem. A GNR já tem casos concretos confirmados em Portugal, o que torna este alerta particularmente urgente.
Como te podes proteger
Se estiveres a acompanhar ou a ajudar a divulgar um caso de desaparecimento e receberes um contacto deste género, a recomendação é clara: nunca faças qualquer pagamento sem confirmar a informação junto das autoridades competentes. A GNR aconselha a denunciar de imediato qualquer abordagem suspeita à PSP, à própria GNR ou à Polícia Judiciária, e a nunca partilhar dados bancários nem negociar diretamente com quem alega ter informações sobre o paradeiro da vítima.
A exploração da dor alheia
Este esquema é particularmente perverso porque ataca precisamente o momento em que uma família está mais vulnerável e menos capaz de pensar com frieza. Quanto mais pormenores públicos existirem sobre um caso de desaparecimento, mais material os burlões têm à disposição para tornar a história plausível. Por isso, a GNR pede especial cautela a quem partilha informação sensível nas redes sociais durante uma busca, sugerindo que se privilegiem canais diretos com as autoridades sempre que possível, em vez de se expor cada novo pormenor publicamente.

Um padrão que se repete noutras burlas
Este não é o primeiro esquema a explorar momentos de fragilidade emocional para obter dinheiro de forma ilícita. As autoridades portuguesas têm alertado para uma tendência crescente de burlas que usam gatilhos emocionais fortes. São exemplo disso acidentes, doenças súbitas ou emergências familiares, precisamente porque nesses momentos as vítimas tendem a agir pelo instinto e não pela razão. A diferença nesta variante é que a informação usada pelos criminosos não é inventada. Trata-se da própria informação que a família divulgou, com boa-fé, para pedir ajuda.
Já alguma vez viste ou recebeste um contacto suspeito relacionado com um caso de desaparecimento que estavas a acompanhar nas redes sociais?








