A Polícia de Segurança Pública emitiu um alerta nacional para o crescimento acentuado da burla do falso acidente, um esquema que já mais do que triplicou em Portugal nos últimos anos e que continua a ter os condutores mais velhos como principal alvo.
Os números que preocupam a PSP
Entre 1 de janeiro de 2021 e 31 de dezembro de 2025, foram registadas 853 denúncias deste tipo de crime em Portugal. O crescimento tem sido particularmente acentuado nos últimos dois anos: em 2024 registaram-se 190 ocorrências, um número que subiu para 339 em 2025, um aumento de 78% num único ano. Comparando com as 86 ocorrências registadas em 2021, o crime mais do que triplicou em apenas quatro anos.

Como funciona o esquema
Segundo a PSP, esta burla tem um caráter presencial. Acontece tipicamente em parques de estacionamento de grandes superfícies comerciais ou em ruas com pouco movimento, muitas vezes sem qualquer cobertura de videovigilância. A abordagem pode acontecer de imediato, quando a vítima ainda está parada dentro do carro, ou já depois de esta ter iniciado a marcha, sendo seguida por outra viatura até ser levada a parar.
Danos que nunca aconteceram
Depois da abordagem, o suspeito simula danos que nunca ocorreram: pode alegar que a vítima lhe bateu no carro, mostrando um risco ou uma mossa que já lá estava antes, ou, numa variante mais agressiva, afirmar que foi atropelado ou que teve o telemóvel ou os óculos danificados. A partir daí, a pressão psicológica é constante, com os burlões a exigir pagamento imediato em dinheiro e a desencorajar ativamente qualquer contacto com a polícia ou com a seguradora.
Idosos continuam a ser o alvo preferencial
Os números divulgados pela PSP confirmam aquilo que já se suspeitava: as vítimas são, na esmagadora maioria, pessoas mais velhas. Do total de casos analisados, 68% das vítimas têm mais de 80 anos. Já 21% têm entre 70 e 79 anos. Isto significa que quase nove em cada dez vítimas têm mais de 70 anos. Numa das táticas mais recentes identificadas pela PSP, os burlões chegam mesmo a apresentar um Terminal de Pagamento Automático portátil no local. Tudo para tentar que a vítima pague de imediato com cartão.

Como reagir se isto te acontecer
Perante qualquer abordagem deste género, a recomendação da PSP é simples. Nunca efetuar pagamentos no local, seja em dinheiro ou por cartão, e insistir sempre na presença de uma patrulha para formalizar a ocorrência corretamente. Simular chamadas para oficinas com orçamentos fictícios trata-se de outra das táticas usadas para dar credibilidade ao esquema. Assim qualquer pressão para pagar de imediato deve-se encarar com desconfiança redobrada, mesmo que o suspeito pareça genuinamente alterado ou magoado.
Um conselho válido para toda a família
Dado que os idosos continuam a ser o alvo principal, vale a pena partilhares este alerta com os pais, avós ou vizinhos mais velhos. Isto sobretudo se costumam conduzir sozinhos até grandes superfícies comerciais. Um simples aviso antecipado pode fazer toda a diferença no momento em que alguém se sente pressionado e sozinho num parque de estacionamento, sem saber exatamente a quem recorrer.






