Há uma burla com MB Way que está a espalhar-se em Portugal e que é particularmente perigosa por ser ao contrário do que toda a gente espera. Em vez de te pedirem dinheiro, os burlões começam por te enviar dinheiro. E é precisamente essa inversão que baixa as defesas das vítimas. A Polícia Judiciária já alertou para este esquema, e vale a pena perceberes exatamente como funciona antes que te apanhe a ti. Então como funciona a burla no MB Way em que recebes dinheiro?
A burla do MB Way em que recebes dinheiro: como o esquema se desenrola
Imagina que recebes, sem esperar, uma transferência por MB Way de um valor relativamente pequeno, tipicamente algumas dezenas a duas centenas de euros, de alguém que não conheces. Pouco depois, essa pessoa contacta-te, com ar atrapalhado e cheio de urgência: enganou-se no número, a transferência era para outra pessoa, e pede-te com insistência que devolvas o dinheiro.
O instinto natural é resolver o assunto rapidamente. Afinal, o dinheiro não é teu, foi um engano e não custa nada devolver. E é exatamente nessa boa-fé que o burlão aposta. A questão é que a transferência inicial pode ter sido feita com fundos roubados, ou estar a ser manipulada de forma a que, quando devolves, o dinheiro original desaparece do teu lado e tu ficas a pagar do teu bolso.
Noutra variante, em vez de te pedirem para devolver por MB Way, dão-te um IBAN diferente para “facilitar”. Quando transferes para esse IBAN, estás simplesmente a entregar dinheiro teu a um desconhecido, sem nenhuma garantia.
O que diz quem percebe do assunto
A SIBS, a entidade responsável pela rede Multibanco e pelo MB Way, é clara: não deves seguir instruções de desconhecidos para fazer operações, seja qual for o canal de contacto. E há uma regra de ouro que resolve a esmagadora maioria destes casos: nunca devolvas uma transferência inesperada para um número ou IBAN diferente do remetente original sem antes validar a situação junto do teu banco.
O que fazer se te acontecer
Se receberes uma transferência que não esperavas, não entres em pânico e, sobretudo, não devolvas de imediato. O primeiro passo é contactar o teu banco e pedir que verifiquem a origem da operação. Se a pessoa que te enviou o dinheiro for legítima e se tiver mesmo enganado, o próprio banco consegue tratar da reversão pelos canais corretos. Ou seja, não precisas de fazer transferências por tua conta.
Guarda todas as mensagens e comprovativos. Se houver indícios de burla, apresenta queixa na PSP, GNR ou Polícia Judiciária. E lembra-te do princípio que protege contra quase todas as burlas modernas: sempre que há pressa, pressão emocional e instruções para “resolver já”, para. É precisamente esse o padrão que os burlões usam para te impedir de pensar.






