Estás a fazer marcha-atrás num parque de estacionamento quando alguém bate de repente na janela: dizem que embateste no carro e exigem dinheiro já, em notas, para não chamar o seguro. Trata-se da burla do falso acidente, e a PSP avisa que continua a crescer de forma alarmante, sobretudo à custa de pessoas idosas.
Como funciona a burla do falso acidente
Segundo a PSP, os burlões abordam a vítima quando esta está a fazer uma manobra, na maior parte das vezes marcha-atrás, sobretudo em estacionamentos de grandes superfícies comerciais. Em seguida, afirmam que embateram na viatura e pedem uma compensação imediata em dinheiro, recorrendo sempre à manipulação e à intimidação.

A abordagem pode acontecer logo, quando a vítima está parada, ou depois de já ter arrancado, caso em que é seguida por outra viatura. Posteriormente, é levada a parar a marcha através de sinais luminosos, sonoros ou gestos agressivos. Há também casos sem veículos, em que o suspeito alega um atropelamento ou danos num telemóvel caro ou nuns óculos.
Os truques para parecer credível
Para dar total credibilidade à história, o burlão mostra dor física, no caso de um suposto atropelamento, ou um dano na viatura ou no objeto, que normalmente já existia muito antes do alegado embate. Além disso, chega a simular uma chamada para uma oficina ou para uma operadora, fingindo receber um orçamento avultado, que depois transmite à vítima.
A PSP detetou também situações em que o autor apresenta um terminal de pagamento automático e insiste no pagamento imediato. O argumento é invariavelmente o mesmo: evitar o seguro e resolver o assunto depressa, sem participar o acidente nem chamar a polícia ao local.
Os números preocupantes
Nos últimos quatro anos, a PSP registou 625 denúncias deste tipo de burla. Em 2024 houve 190 casos, o que representa mais 47% do que em 2023, e mais do dobro dos registados em 2021. Só no primeiro trimestre de 2025 já tinham sido recebidas 111 denúncias, cerca de 58% do total do ano anterior. Consequentemente, as autoridades esperam um novo pico de atividade durante este ano.

As vítimas são, normalmente, pessoas idosas, vulneráveis pela idade, doença ou fragilidade económica. Importa referir que o período preferencial é entre as 10h00 e as 16h00, e os locais mais frequentes são os parques de estacionamento de superfícies comerciais e as vias com pouco movimento, onde normalmente não há videovigilância.
O que fazer se te abordarem
A PSP aconselha a nunca pagar nenhum valor por situações em que não tens a certeza absoluta de ter responsabilidade. Adicionalmente, deves desconfiar de quem não quer chamar a polícia nem acionar o seguro e só pede dinheiro vivo, sobretudo se se oferecer para te acompanhar ao Multibanco mais próximo. Em suma, nunca se deve pagar num terminal de pagamento apresentado por desconhecidos.
Se estiveres a ser seguido por outro carro que faz sinais para parares, não pares de imediato. Por outro lado, se decidires encostar, faz isso num local com muito movimento de pessoas. Na dúvida, tranca as portas, contacta imediatamente as autoridades e pede a participação do acidente. Retém o máximo de informação sobre os suspeitos, como idade, altura, roupa, voz e a matrícula do veículo.
Para quem tem familiares idosos
Como as vítimas são, na larga maioria, pessoas idosas, vale a pena ter uma conversa direta com os teus pais ou avós. Explica-lhes que ninguém tem o direito de exigir dinheiro na rua após um alegado acidente, que o procedimento normal passa pelo seguro e, se necessário, pela polícia, e que nunca devem ir a um Multibanco com um desconhecido. Combinar uma regra clara, como ligar sempre para a família ou para o 112 antes de pagar o que quer que seja, pode evitar um grande desgosto.
Se alguém tentar burlar-te ou a um familiar, apresenta queixa formal, mesmo que não tenhas perdido dinheiro. Sem dúvida, cada denúncia ajuda a PSP a perceber onde e quando estes casos acontecem, permitindo reforçar a prevenção nos locais mais atingidos.
E tu, alguma vez alguém te abordou de forma suspeita num parque de estacionamento, ou conheces alguém a quem tenha acontecido o mesmo?








