Há burlões que já conseguem clonar a voz de familiares através de inteligência artificial. Ligam depois às vítimas a pedir dinheiro. A voz parece mesmo a de um filho, de um neto ou de um colega de trabalho. O alerta foi confirmado esta semana pela Correio da Manhã e junta-se a avisos anteriores da Polícia Judiciária.
O que são estas chamadas “deepfake”
Segundo a PJ, estas chamadas chamam-se deepfakes de áudio. A partir de curtas gravações, os criminosos conseguem reproduzir a voz de qualquer pessoa. Depois, geram novas falas de forma rápida, criando contactos falsos que soam credíveis ao ouvido de quem atende.
Este tipo de esquema tem sido usado sobretudo em fraudes financeiras. Os burlões tentam manipular a vítima para conseguirem dinheiro ou dados pessoais. Por isso, quando uma chamada parece vir de um familiar e pede uma transferência urgente, a desconfiança deve ser imediata. Isto vale mesmo que a voz pareça genuína.

Este golpe costuma andar de mãos dadas com outra técnica, o spoofing, que falsifica o número que aparece no ecrã do telemóvel. Ou seja, além de ouvires uma voz que parece familiar, o ecrã pode mostrar um número que já conheces. A combinação das duas coisas torna a chamada ainda mais convincente.
Sinais que devem levantar suspeita
A PJ recomenda prestar atenção a ruídos descontextualizados e a sons demasiado perfeitos ou distorcidos durante a chamada. Também vale a pena analisar com cuidado o tom, a naturalidade e as variações da voz. Nenhum destes sinais é garantia absoluta, mas todos ajudam a levantar suspeitas.
O que fazer perante um pedido de dinheiro
Antes de seguires qualquer instrução, para. Não forneças dados pessoais nem faças transferências apenas com base numa chamada. Desliga e liga tu mesmo para o número habitual da pessoa que, alegadamente, está a pedir ajuda. Se combinares previamente uma palavra-chave com familiares próximos, para situações de emergência, essa palavra pode ajudar a confirmar quem está mesmo do outro lado.
Um problema que já teve outros alertas
Este não é o primeiro aviso sobre o tema em Portugal. A GNR já tinha recomendado que a população desconfiasse de alegados familiares afastados, precisamente para prevenir este tipo de esquema. Também a PSP tem alertado para burlas semelhantes, em que os criminosos se fazem passar por conhecidos através de perfis clonados nas redes sociais.

A urgência é sempre o sinal de alarme
Estes esquemas funcionam porque criam uma sensação de urgência, que empurra a vítima a agir sem pensar. Por isso, sempre que um pedido de dinheiro vier acompanhado de pressão para decidir já, vale a pena parar. Desliga e confirma por outro meio antes de fazeres seja o que for.
À medida que estas ferramentas de inteligência artificial se tornam mais acessíveis, é provável que este tipo de burla continue a aparecer sob novas formas. Por isso, as regras de desconfiança básica tendem a ser mais úteis do que tentar reconhecer cada esquema individualmente.
Já ouviste falar de alguém que tenha recebido uma chamada com uma voz clonada por inteligência artificial?






