Podes achar que a gigante BlackBerry desapareceu do mercado, mas estarias enganado. Renasceu e está no teu carro!
Se calhar já não te lembras, ou nem sequer és desse tempo. Mas, houve uma altura em que ter um telemóvel com teclado físico e o velhinho BlackBerry Messenger era o derradeiro símbolo de estatuto. Era quase como ter um iPhone.
Claro que depois veio a Apple, bem como o ecossistema Android, e a empresa canadiana foi varrida do mapa dos consumidores com uma rapidez assustadora.
Dito isto, a maioria das pessoas acha que a marca simplesmente faliu e desapareceu do planeta. Mas não. No mundo dos negócios ninguém morre se houver uma réstia de visão comercial. Assim, a BlackBerry pode ter saído do teu bolso, mas há uma enorme probabilidade de estares a guiar um carro alimentado por ela todos os dias.
Do fiasco dos ecrãs táteis ao domínio do mercado automóvel?

A queda vertiginosa da quota de mercado, que passou de 21 milhões de utilizadores nos EUA para uma fração miserável de 0,8% em poucos anos, serve de lição a muita gente. Aliás, a verdade é que a BlackBerry tentou lutar contra a maré de forma desastrosa. Lançaram aberrações como o BlackBerry Storm e tablets inúteis como o PlayBook, mas o mercado já tinha escolhido o iOS e o Android.
Dito tudo isto, a grande jogada de mestre aconteceu quando deixaram de tentar vender hardware a utilizadores comuns. Em vez de continuarem a queimar uma pipa de massa a tentar fazer concorrência aos ecrãs táteis da Apple e da Samsung, viraram agulhas para o software de segurança e sistemas operacionais em tempo real através do QNX.
O resultado? Hoje em dia, o sistema da BlackBerry está instalado em quase 300 milhões de automóveis no mundo inteiro e é usado por 24 das 25 maiores fabricantes de veículos elétricos. Marcas gigantes como a BMW usam este software de base. Aliás, quando ligas o Apple CarPlay ou o Android Auto no teu carro, a probabilidade do sistema por trás estar a correr sobre tecnologia BlackBerry é gigantesca.
Robótica, governos e a reconquista do mercado empresarial. Aqui há MUITO dinheiro.
Normalmente, o consumidor acha sempre que o dinheiro a sério está no mercado de consumo. O que é natural. Mas… Isso está muito longe da verdade. Ou seja, enquanto a Apple bateu com a cabeça na parede e cancelou o seu projeto de carro elétrico, a BlackBerry meteu-se pelos atalhos certos.
Além do setor automóvel, a empresa transformou a sua antiga infraestrutura de mensagens numa plataforma de comunicações ultrassegura que hoje é usada por governos, polícias britânicas, parlamentos e até pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha.
E não se ficam por aqui. O próximo passo da marca passa pela robótica industrial, desde robôs cirúrgicos a autómatos para fábricas.
Enquanto muito boa gente continua a chorar o fim do teclado físico e a achar que a marca morreu no passado, a BlackBerry reinventou-se no silêncio e factura como nunca longe dos holofotes do mercado de consumo. Podes não voltar a ter um telemóvel deles no bolso, mas a verdade nua e crua é que a tecnologia deles continua a controlar o teu dia a dia sem tu sequer perceberes.
É inegavelmente muito interessante.







