Quando se ouve falar da norma Euro 7, a reação imediata de quem acompanha o mundo automóvel é revirar os olhos e pensar em mais restrições aos tubos de escape. Ou seja, mais filtros e faturas mais caras nos concessionários.
Só que, desta vez, os burocratas de Bruxelas decidiram virar a mira para um sítio completamente diferente! As baterias dos automóveis 100% elétricos e dos híbridos plug-in. E ainda bem que assim é. Para a transição elétrica resultar, é preciso que o mercado de usados para os elétricos seja tão ou mais saudável que o mercado de motores a combustão, e isso só pode acontecer com garantias de que a tecnologia tem pernas para andar, e para aguentar.
Dito tudo isto, a nova legislação europeia vai obrigar, por lei, a que as baterias mantenham uma percentagem mínima de capacidade ao fim de vários anos e milhares de quilómetros. Ou então, os carros simplesmente não podem ser homologados nem vendidos no mercado europeu!
O que diz a nova lei?

Portanto, ao abrigo do Regulamento (UE) 2024/1257, a régua de medição para os automóveis ligeiros de passageiros passa a ser mais rígida. Não há cá “achismos” nem medições à porta fechada na oficina da marca. Os limites mínimos de capacidade energética retida na bateria passam a ser obrigatórios:
- Até aos 5 anos ou 100 mil quilómetros: O pack de baterias terá de manter, no mínimo, 80% da sua capacidade inicial de fábrica (o que acontecer primeiro).
- Até aos 8 anos ou 160 mil quilómetros: A tolerância alarga-se ligeiramente, mas a capacidade mínima nunca poderá ficar abaixo dos 72%.
- Comerciais ligeiros mais castigados: No caso dos furgões e carrinhas de trabalho, a fasquia desce um pouco devido ao desgaste do serviço pesado: 75% aos cinco anos e 67% aos oito anos (ou 160 mil km).
Para além disto, os construtores vão ser obrigados a disponibilizar o famoso indicador de saúde da bateria (SoH – State of Health) de forma transparente no próprio sistema do veículo. Na verdade, tal e qual como já acontece nos smartphones modernos.
Isto é como uma garantia? Não.
A Euro 7 estabelece regras para homologação. Ou seja, serve para os engenheiros das marcas provarem nos testes de laboratório que a química e a gestão térmica daquela bateria têm resistência teórica para não morrer antes desse prazo. Mas as condições comerciais de ativação de garantia continuam a ser redigidas por cada fabricante.
Se a tua bateria cair para os 71% ao sétimo ano, não vais bater à porta de Bruxelas a exigir uma nova. Vais continuar a ter de discutir com a marca se cumpriste os planos de manutenção religiosa, se não abusaste dos carregamentos ultra-rápidos. E claro, se as cláusulas do contrato te cobrem ou não.
Quando acontece a mudança?
A transição não acontece de um dia para o outro. Os modelos completamente novos que ainda não foram homologados têm de cumprir estas exigências a partir de 29 de novembro de 2026. Já para a totalidade dos carros novos vendidos nos stands europeus, o prazo limite entra em vigor a 29 de novembro de 2027. Quem já tem um elétrico a circular na garagem não tem nada a temer nem a ganhar: a lei não tem efeitos retroativos.






