Imagina uma bateria capaz de armazenar 400 watts-hora por quilo, que pode ser carregada totalmente em apenas cinco minutos e que oferece uma vida útil superior a 100000 ciclos de carga. Soa demasiado bom para ser verdade, certo? Pois bem, estas são as promessas de uma nova tecnologia de estado sólido (solid-state) que, se for real, pode mudar para sempre o mundo dos veículos elétricos e até da aviação. No entanto, há muitos sinais de alerta a soar acerca desta bateria sólida. Será que estamos perante o Santo Graal das baterias ou apenas mais um esquema elaborado?
Bateria sólida: as promessas da Donut Lab
A empresa por trás destes números chama-se Donut Lab e as afirmações têm aquele toque clássico de milagre tecnológico.

Ao contrário das baterias tradicionais de iões de lítio, que usam eletrólitos líquidos, as baterias de estado sólido dependem de um eletrólito sólido. Em teoria, isto traz vantagens enormes, especialmente na segurança. Quando os eletrólitos líquidos falham (seja por stress físico, térmico ou elétrico), tendem a produzir gases altamente inflamáveis, o que leva àqueles incêndios difíceis de apagar nos carros elétricos.
Os defensores do estado sólido garantem que estas baterias são imunes a falhas destrutivas. Já vimos demonstrações onde pregos são espetados nestas células sem qualquer fogo ou explosão. Mas a questão aqui não é a teoria, é a prática. Onde está a ratoeira?
Porque é que o mundo da tecnologia está tão cético em relação à Donut Lab?

Gigantes como a Toyota investiram rios de dinheiro durante anos para criar uma bateria de estado sólido viável e ainda têm pouco para mostrar. Como é que uma pequena startup conseguiu resolver todos os problemas de repente?
A Donut Lab teve um stand na CES na semana passada. O problema? Tudo o que tinham para mostrar eram carcaças vazias impressas em 3D. Nenhuma bateria real a funcionar.
Entretanto segundo relatos, o fundador da empresa já é conhecido por fazer afirmações não fundamentadas no passado.
A regra dos 80/20 no desenvolvimento
Ao longo das décadas, já vimos muitos anúncios de “tecnologias revolucionárias” que acabaram por não dar em nada. Quase sem exceção, estes anúncios chegam por investigadores que chegaram a 80% do caminho e acham que os restantes 20% serão fáceis.
Mas quem tem experiência no mundo real sabe a verdade: os últimos 10% do desenvolvimento de qualquer tecnologia levam 90% do tempo, porque é aí que surgem os problemas mais difíceis de resolver.
Fraude ou Esperança?
Com tantas indústrias desesperadas pela próxima grande novidade (desde carros a aviões elétricos), qualquer pessoa que diga ter a solução pronta vai atrair muita atenção e, provavelmente, muito dinheiro de investimento.
Se as baterias da Donut Lab forem reais, carros voadores e aviões elétricos tornam-se viáveis da noite para o dia. Mas, por agora, é melhor manteres as expectativas baixas.
A empresa prometeu entregas para o primeiro trimestre de 2026 (ou seja, agora). Agora resta sabermos se isto vai mesmo acontecer.

