Como já dissemos várias vezes, a corrida por baterias mais rápidas e eficientes é o Santo Graal da tecnologia moderna. Não é que a bateria não tenha evoluído. Porque ela está bastante mais eficiente, poderosa, etc… O problema é que não foi capaz de evoluir à mesma escala do resto dos componentes.
É por isso que, sempre que surge uma novidade milagrosa nos laboratórios, a Internet sonha logo com telemóveis que carregam num piscar de olhos. Mas a realidade, como habitualmente, traz um balde de água fria.
Ou seja, investigadores conseguiram criar o primeiro protótipo funcional de uma bateria quântica capaz de carregar numa fração indescritível de segundo, mas… Existem vários problemas.
Superabsorção: O truque quântico que desafia a física tradicional?
Desenvolvido por uma equipa liderada pelo investigador James Quach na CSIRO, este protótipo funciona com base num efeito quântico chamado superabsorção. Não vão ao detalhe da física quântica complexa, mas o conceito básico é fascinante. Afinal, ao contrário das baterias convencionais que demoram mais tempo a carregar quanto maior são, aqui, quanto mais moléculas estiverem envolvidas, mais rápido o sistema absorve energia.
Mais concretamente, o funcionamento técnico baseia-se numa arquitetura muito específica:
- Microcavidade ótica: Duas superfícies espelhadas separadas por apenas 100 nanómetros e recheadas com moléculas de corante orgânico.
- Carga instantânea: Um raio laser faz interagir a luz e as moléculas em conjunto, permitindo que a bateria carregue em femtosegundos (milionésimos de bilionésimo de segundo).
- Operação a temperatura ambiente: Ao contrário de outros sistemas quânticos que exigem frio extremo e condições criogénicas abaixo de -150°C, esta abordagem funciona sem precisar de supercondutores gelados.
Onde é que isto vai ser realmente útil?
No fundo, o grande obstáculo não é a velocidade de carga, mas sim a retenção de energia.
O protótipo consegue armazenar apenas uma fração mínima e retém-la durante escassos nanosegundos antes de se dissipar. Ou seja, estamos perante uma prova de conceito brilhante em laboratório, mas que está a léguas de conseguir alimentar um dispositivo real do dia a dia.
Isto significa que, como sempre, há um potencial tremendo, mas ainda estamos muito longe de uma aplicação prática.
Afinal de contas, os próprios cientistas admitem que a utilidade destas baterias quânticas não está apontada aos carros elétricos ou aos smartphones, mas sim ao ecossistema de computação quântica, onde a entrega ultra-rápida de energia é vital para reduzir consumos em hardware especializado. Portanto, vais ter de continuar a ligar o teu telemóvel à tomada à moda antiga durante muitos e bons anos.







