O barril de petróleo volta a quebrar a barreira dos 100 dólares e o mercado energético aproxima-se do “ponto de não retorno” – Infelizmente, devido ao continuado falhanço das conversações de paz, o preço do ouro negro voltou a disparar nos mercados internacionais na sequência de novos ataques aéreos dos Estados Unidos contra alvos militares no Irão.
Como seria de esperar, a intervenção militar deitou por terra as fracas expectativas de uma trégua diplomática no Médio Oriente, levando vários analistas de mercados a alertar que, independentemente do desfecho das negociações, o setor energético global pode ter cruzado uma linha vermelha sem hipótese de recuo.
Os preços vão ficar altos durante muito tempo, e os 100 dólares até podem vir a ser o novo normal. Por isso, se não gostas muito de ver gasóleo e gasolina acima dos 2€ por litro, temos más notícias. Vais andar a pagar esses valores durante (muito) tempo. Provavelmente anos.
Mas o maior problema até pode nem vir a ser esse. O petróleo afeta tudo, por isso podes também dar as boas-vindas à inflação.
O bloqueio de Hormuz tem efeitos que vão durar… e durar… Pode ser para sempre.
Voltamos a repetir. O Estreito de Ormuz é essencial para a passagem de petróleo. Estamos a falar de uma rota por onde passavam 20 milhões de barris todos os dias.
Ainda assim, depois de um pico de 126 dólares por barril no ano passado, a realidade é que o preço caiu para os 97 dólares. O que não é perfeito, mas já serviria de alívio para as economias mais frágeis (como a nossa). Mas o mercado começa a estar um bocadinho farto deste clima de “está a melhorar”, “afinal está a piorar”, que se repete semana sim e semana não.
Vários especialistas comparam o atual esforço diplomático a um ciclo infinito de falsas promessas, onde o mercado celebra uma suposta trégua iminente para, logo a seguir, esbarrar em novas retaliações militares. Ninguém sabe o que pode acontecer e, claro, depois de várias semanas de engano, o mercado pode começar a não perdoar.
Mais concretamente, como a situação não se vai resolver assim tão rapidamente quanto isso, e mesmo que se resolva, vai ser impossível voltar aos 20 milhões de barris de um dia para o outro.
O mercado começa a plantar a semente da ideia de que o petróleo barato não vai voltar, para ninguém.
A minha visão?
Nós andamos a viver numa bolha de negação e este regresso do petróleo acima dos 100 dólares é o balde de água que estava a faltar para termos a noção daquilo que é o nosso futuro.
Os investidores passaram as últimas semanas a especular sobre acordos de paz e a aliviar os preços de forma fictícia, esquecendo-se de que os stocks reais estão nos níveis mais baixos de sempre e o Estreito de Ormuz continua bloqueado. Achar que os combustíveis iam dar tréguas com o início do verão é não perceber as bases mais simples da economia global. A fatura deste falhanço diplomático vai entrar-nos diretamente pela carteira dentro, seja na bomba de gasolina acima dos 2€ por litro ou na subida galopante da inflação em todos os produtos de supermercado.
Prepara-te.





