Um avião elétrico com 30 lugares voou quase meia hora e gastou 5€ de eletricidade? A aviação pode mesmo mudar!
Se há setor onde a transição energética parece um autêntico beco sem saída da física, esse setor é o da aviação comercial. Ou seja, enquanto nos carros elétricos já temos autonomia de sobra para o dia a dia e os custos de manutenção caem a pique, meter um monstro de várias toneladas no ar a puxar apenas por baterias sempre foi visto como uma miragem.
Mas a verdade é que os primeiros passos reais começam finalmente a sair do papel e a aterrar na pista.
A Heart Aerospace acaba de assinar um marco histórico ao colocar no ar o X1: o maior avião 100% elétrico a baterias que alguma vez levantou voo. O aparelho esteve no ar durante 27 minutos e, na fatura pura de energia consumida na viagem, gastou uns ridículos 5 dólares em eletricidade (menos de 5 euros!).
Um gigante elétrico nos céus de Nova Iorque

Portanto, o teste decorreu no aeroporto regional de Plattsburgh, no estado de Nova Iorque, com o avião a subir até aos 335 metros de altitude (1.100 pés) apenas com o piloto a bordo. E não estamos a falar de um planador leve de fibra de vidro para testes de laboratório:
- Dimensões reais de avião regional: Tem 23 metros de comprimento (76 pés) e uma envergadura de asas de mais de 32 metros (106 pés).
- Peso: Atinge mais de 11.300 kg (25.000 libras) de peso à descolagem.
- Capacidade teórica: A plataforma foi desenhada à escala de uma aeronave comercial para 30 passageiros.
Claro que os 5 dólares de energia referem-se apenas à eletricidade consumida durante aqueles 27 minutos no ar, deixando de fora despesas de manutenção, seguros, tripulação e taxas aeroportuárias. Mas comparar isso com as centenas de litros de combustível de aviação (jet fuel) a preços pornográficos que um avião tradicional queima na mesma manobra mostra bem a revolução que está em jogo.
O limite das baterias e a solução híbrida para 2031?
Apesar do feito estrondoso, o teste serviu também para escancarar o maior calcanhar de Aquiles da aviação elétrica: a densidade energética das baterias.
Por enquanto, um quilo de combustível tradicional armazena dezenas de vezes mais energia do que um quilo de baterias de lítio.
Além disso, um avião clássico fica mais leve à medida que queima combustível durante a viagem. Isto não acontece num elétrico. O peso morto das baterias mantém-se rigorosamente idêntico da descolagem à aterragem. Tenham bateria ou não.
Dito tudo isto, em modo puramente elétrico, o alcance ronda escassos 200 km (125 milhas). É precisamente por isso que a versão comercial final (o Heart ES-30, previsto para entrar ao serviço em 2031) não vai ser 100% a bateria, mas sim um avião híbrido:
- Modo 100% Elétrico: Usado nas viagens ultra-curtas ou nas operações de aproximação e aterragem para cortar o ruído e as emissões nos aeroportos perto das cidades.
- Extensor de autonomia a combustão: Um motor auxiliar entra em ação para empurrar o alcance total até aos 800 km (500 milhas), permitindo ligar cidades com total segurança.
Rotas regionais até 40% mais baratas
Com gigantes como a United Airlines e a Air Canada já de olho no projeto. A Heart Aerospace promete uma redução superior a 40% nos custos operacionais face aos aviões regionais clássicos. Afinal, os motores elétricos têm uma fração das peças móveis de uma turbina tradicional, o que reduz o desgaste, as revisões e o tempo do avião parado no chão.
Claro que ainda estamos longe de ver um voo transatlântico Lisboa-Nova Iorque a baterias. Mas, para saltos rápidos entre cidades e ilhas, a eletrificação dos céus já não é ficção científica… É apenas uma questão de tempo.







