Com a instabilidade internacional provocada pelo conflito no Irão neste início de março de 2026, o alívio que sentias nas contas da casa pode estar prestes a desaparecer. Além disso, as taxas Euribor, que vinham a dar tréguas, começaram a subir de forma inesperada, e os mercados já antecipam que o Banco Central Europeu (BCE) possa subir os juros para travar a inflação energética. Consequentemente, muitos portugueses enfrentam agora a possibilidade de um aumento significativo na mensalidade. Mas quem são os mais expostos a este agravamento que pode chegar aos 100 euros?
Aumento da prestação da casa: contratos com Euribor a 12 meses em revisão
Embora a Euribor a 12 meses tenha tido um comportamento de descida no último ano, a inversão atual é perigosa. Se a tua prestação for revista em abril ou maio com base nos valores de março de 2026 (que já atingiram máximos de um ano, perto dos 2,55%), o salto será notório.
Para quem tem empréstimos elevados, acima de 200 mil euros, esta subida repentina do indexante pode facilmente traduzir-se num aumento mensal próximo dos três dígitos. Por outro lado, quem reviu o contrato em janeiro ainda apanhou taxas mais baixas e está “salvo” por agora.
Famílias com capitais em dívida elevados
Este é um fator matemático simples: quanto mais deves ao banco, mais sentes cada décima de subida nos juros. Por exemplo:
- Num empréstimo de 150.000€, uma subida de 0,5% na taxa pode representar cerca de 45€ a 50€ extra.
- Num empréstimo de 250.000€, essa mesma subida de 0,5% já coloca o aumento perto dos 80€ a 90€.
Portanto, se compraste casa recentemente e ainda tens quase todo o capital por pagar, tu és o primeiro alvo deste impacto financeiro.
Quem tem Euribor a 6 meses (a maioria em Portugal)
Atualmente, a Euribor a 6 meses é o indexante mais comum nos contratos portugueses. Infelizmente, os dados de março mostram que esta taxa está a subir, contrariando a tendência de alívio dos meses anteriores. Se o teu contrato for revisto neste semestre, prepara-te para uma penalização, pois o valor de referência atual é superior ao de há seis meses.
Como te podes proteger deste aumento?
Ademais de ficares atento às notícias, existem passos concretos que podes dar para evitar que a tua prestação suba tanto:
Taxa Mista: Atualmente, 77% dos novos créditos em Portugal escolhem esta opção. Podes fixar a tua prestação por 2 ou 5 anos, garantindo que a guerra ou a inflação não mexem no teu orçamento.
Renegociação de Spread: Com a concorrência bancária em 2026, muitos bancos aceitam baixar o spread para não perderem o cliente para a concorrência.
Amortização Parcial: Se tiveres alguma poupança, amortizar capital agora reduz a base sobre a qual os juros incidem, o que suaviza qualquer subida futura.
Nota importante: Se a tua taxa de esforço ultrapassar os 35%, contacta o teu banco imediatamente. Existem protocolos de proteção ao crédito habitação que podem ajudar-te a diferir parte do capital ou a alargar o prazo.









