Durante anos, o Carnaval infantil teve um guião previsível: super-heróis ocidentais, cowboys, princesas, piratas. Bastava entrar numa loja de fatos para saber o que ia dominar as ruas. Este ano, porém, algo mudou e não foi subtil. As escolhas das crianças portuguesas estão a apontar noutra direção. Uma direção clara, consistente e surpreendentemente oriental. O sinal está nos fatos mas a mudança é cultural. Quando olhamos para os dados de vendas de uma loja portuguesa especializada em crianças e que aposta muito em fatos infantis (a SoTiny), o padrão repete-se: os modelos mais procurados não são os clássicos de sempre. Olá ao mundo Dragon Ball, K-pop e Ninjas.
Dragon Ball, K-pop e Ninjas
Dragon Ball, Guerreiras K-pop e Ninjas estão com uma procura louca e a tendência é transversal: atravessa idades, géneros e contextos familiares. Não depende de uma moda passageira nem de uma campanha específica. É reflexo de algo maior.
Dragon Ball é uma herança
Para muitos pais, Dragon Ball é memória de infância. Para os filhos, é presente. O anime japonês atravessou gerações sem perder relevância. Passou da televisão para o streaming, dos DVDs para o YouTube, dos recreios para o TikTok. O resultado? Personagens como Goku ou Vegeta continuam a ser referências fortes agora partilhadas entre pais e filhos.

K-pop: música que virou identidade
As guerreiras K-pop são talvez o sinal mais claro de que algo mudou.
O K-pop deixou de ser apenas música. É estética, atitude, coreografia, pertença. Vive nas redes sociais, nos vídeos curtos, nas danças repetidas em casa vezes sem conta. As crianças não querem fantasias bonitas. Querem personagens com personalidade.

E isso vê-se na forma como escolhem roupas inspiradas em palco, não em contos de fadas. É um espelho de um mundo mais visual, mais global e mais participativo.
Ninjas: algo que nunca saiu de cena
Enquanto algumas modas vão e vêm, os ninjas mantêm-se. E há uma razão simples para isso. O ninja representa: mistério sem medo, ação sem violência gratuita, disciplina sem rigidez.

É um símbolo universal, fácil de compreender e de admirar. Num mundo acelerado e digital, continua a fazer sentido talvez até mais do que antes.
Porque é que os heróis de sempre estão a perder espaço?
Entretanto não desapareceram. Mas estão a deixar de ser óbvios.
As crianças de hoje crescem num ecossistema diferente: consomem conteúdos globais desde cedo e sobretudo não distinguem “oriental” de “ocidental”. Para além disso escolhem referências pela energia, estética e identificação e não pela origem. O eixo cultural já não passa apenas pelos Estados Unidos ou pela Europa. O Oriente deixou de ser exótico. Tornou-se normal e o Carnaval foi apenas o momento em que isso ficou visível.

