Depois dos anúncios dentro da ROG, eis que ficou claro o objetivo da gigante de Taiwan. A ASUS já não quer apenas fazer bons produtos isolados. Quer controlar a experiência inteira.
Monitores, periféricos, rede, áudio, computação compacta, tudo a falar a mesma língua. Gaming, criação de conteúdos e um novo meio-termo que a marca chama de “prosumer”, para quem já não se contenta com monitores de escritório mas também não vive num estúdio profissional.
A ASUS faz tudo, ou pelo menos quase tudo. É um absurdo.
Monitores OLED: menos truques, mais clareza real

Uma das grandes mudanças nos novos OLED da ASUS está na estrutura dos píxeis. Ou seja, marca abandonou layouts antigos e passou para uma nova disposição RGB stripe, algo que melhora bastante a nitidez do texto e a estabilidade da imagem, especialmente a altos níveis de brilho.
Junta-se a isto o BlackShield, uma película própria que reduz reflexos até 40%, melhora os pretos percebidos e ainda torna o painel mais resistente a riscos. Não é apenas marketing, nota-se logo uma sensação mais “premium”.
Nos modelos gaming, como os ROG Swift OLED PG27UCWM e PG34WCDN, a aposta está em mais brilho sustentado, melhor volume de cor e taxas de atualização pensadas já para as próximas gerações de gráficas. O suporte para DisplayPort 2.1a não está ali por acaso.
5K a sério, sem compromissos estranhos
O ROG Strix 5K XG27JCG é um bom exemplo da abordagem atual da ASUS. Um painel IPS rápido, 5K real, 218 PPI, onde simplesmente não vês píxeis a uma distância normal.
A cereja no topo do bolo é o modo duplo. 5K a 180Hz para quem quer qualidade visual máxima, ou QHD a 330Hz para quem quer competitividade pura. Não é barato, mas também não tenta fingir que é.
Micro LED: não é para ti. Ainda.
Num piso separado e bem guardado, a ASUS mostrou o ProArt Cinema PQ09. Um painel Micro LED de 162 polegadas, 4K, brilho brutal, contraste absurdo e uma fidelidade de cor que mete qualquer OLED doméstico a um canto.
O preço ronda os 160 mil dólares. Baratinho não é? Como é óbvio, não é um produto de consumo. É uma janela para o futuro, e uma forma da ASUS dizer “há muito mais para lá do OLED”.
Óculos AR para gaming? Ainda estranho, mas interessante
Os ROG XREAL R1 AR, que já abordámos em outros artigos, prometem um ecrã virtual até 171 polegadas e 240Hz. A ASUS admite que este tipo de produto ainda não é mainstream, mas faz sentido em cenários muito específicos, como viagens ou setups ultra-compactos.
Não vai substituir um monitor tradicional. Mas também não é um brinquedo sem propósito.
ProArt: menos elitismo

No lado profissional, a ASUS quer subir ainda mais o topo da gama ProArt, mas sem abandonar quem cria conteúdos em casa ou trabalha de forma híbrida.
Monitores como o PA27USD ou o PA32UCDMR-K trazem calibração séria, suporte Calman, acessórios incluídos e ferramentas que antes estavam reservadas a estúdios caros. Aqui a ASUS parece ter encontrado um equilíbrio interessante.
Portáteis? Não. Monitores portáteis
A gama ZenScreen continua a crescer, com modelos OLED e IPS leves, ligação USB-C simples, boa taxa de atualização e peso abaixo de 1 kg. Não são produtos que vão mudar o mundo, mas fazem todo o sentido para quem trabalha fora de casa com frequência.
Wi-Fi 8 já vem a caminho
A ASUS foi clara numa coisa. O Wi-Fi 7 não falhou. Foi mal explicado e mal implementado em muitos casos.

Routers como o ROG Strix GS-BE7200 mostram melhorias reais em alcance, estabilidade e desempenho em casas normais.
Quanto ao Wi-Fi 8, a conversa muda de tom. Menos foco em velocidade máxima e mais em latência consistente, múltiplos utilizadores e fiabilidade. A ASUS espera hardware já em 2026, mesmo antes da norma estar totalmente finalizada.
Sim, alguns dos protótipos parecem naves do Star Wars. Não é coincidência.
Periféricos: refinar, não reinventar
Nos teclados e ratos, a ASUS não está a tentar reinventar a roda. Switches magnéticos, sensores melhores, ergonomia afinada e wireless finalmente tratado como primeira opção.
A tecnologia SpeedNova já não é vista como “bom para wireless”. É simplesmente o standard no topo de gama.
O áudio é onde a ASUS quer surpreender
O grande destaque foi o headset ROG Kithara. Drivers planar magnéticos de 100mm afinados pela HIFIMAN, microfone MEMS de banda larga e uma abordagem claramente audiófila.
Não é barato. Vai rondar os 300 dólares. Mas também não tenta ser acessível. Quer competir com soluções sérias, não com headsets de gaming genéricos.
Earbuds gaming que fazem sentido
Os ROG Cetra Open Wireless apostam num formato aberto com gancho, ligação 2.4GHz de baixa latência e Bluetooth. Drivers grandes, botões físicos e foco no conforto prolongado.
Não são apenas “mais uns earbuds RGB”.
Mini PCs e NUCs: IA sem exageros?
A ASUS foi surpreendentemente honesta ao falar de IA nos seus NUCs. Muitos sistemas anunciam TOPS como se isso fosse revolucionário, quando na prática serve apenas para cumprir requisitos de plataforma.
Modelos como o NUC 16 Pro fazem sentido para escritórios, escolas e tarefas locais simples. Nada mais.
Onde a coisa fica séria
O ROG GR70 já é outra conversa. Ryzen topo de gama, RTX 5070, tudo dentro de uma caixa de 3 litros. Aqui estamos a falar de gaming real em formato compacto.
Mas o produto mais impressionante é mesmo o ASUS Ascent GX10. Um mini “supercomputador” com chip NVIDIA Grace Blackwell, 128GB de memória unificada e capacidade para lidar com modelos de IA gigantes.
Isto já não é marketing. É ferramenta de trabalho para quem sabe o que está a fazer.
A ASUS também quer mandar na IA.

Se ainda restavam dúvidas sobre a ambição da ASUS para 2026, a aposta na inteligência artificial ajuda a fechar o círculo. A marca apresentou na CES uma nova vaga de PCs Copilot+, pensados não apenas para cumprir requisitos de plataforma, mas para criar um ecossistema de IA que funcione no dia a dia, seja para criadores, profissionais ou utilizadores comuns.
A ideia é simples na teoria e complexa na execução. Hardware poderoso, software próprio com IA integrada e parcerias estratégicas que façam sentido. E aqui entra a família ProArt 2026, talvez o exemplo mais claro desta nova abordagem.
Zenbook DUO: dois ecrãs, menos compromissos
No lado mais mainstream, mas ainda premium, o Zenbook DUO de 2026 foi uma das estrelas da apresentação. Dois ecrãs OLED 3K de 14 polegadas, chassis em Ceraluminum, processador Intel Core Ultra X9 Série 3 e uma nova dobradiça que reduz o espaço entre painéis.
A bateria dupla, com um total de 99 Wh, tenta resolver um dos grandes problemas das gerações anteriores. A autonomia. A ASUS quer posicionar este modelo como uma nova referência para quem trabalha com múltiplos contextos ao mesmo tempo, sem recorrer a monitores externos.
Snapdragon ganha terreno nos portáteis finos
A ASUS continua também a apostar forte nos processadores ARM. O Zenbook A14 destaca-se logo pelo peso abaixo de 1 kg, aliado ao Snapdragon X2 Elite de 18 núcleos. O Zenbook A16 segue a mesma filosofia, mas com um ecrã maior e o Snapdragon X2 Elite Extreme, o mais potente da gama.
Aqui a mensagem é clara. Autonomia, silêncio e desempenho consistente, sem o caos térmico típico de muitos portáteis x86 ultrafinos.
Zenbook S e Vivobook: IA para mais gente
A gama Zenbook S foi redesenhada e inclui modelos como o Zenbook S14, também vencedor de um CES Innovation Award 2026. Processadores AMD Ryzen AI Série 400 e Intel Core Ultra Série 3, ecrãs OLED até 3K e acabamentos mais arrojados mostram uma tentativa clara de modernizar a imagem da linha.
Mais abaixo, mas sem ser descartável, surge a nova série Vivobook S de 2026. Modelos de 14 e 16 polegadas pensados para quem quer IA, boa autonomia e desempenho sólido, mas sem pagar preços premium. Aqui entram novamente processadores AMD, Intel e Qualcomm, numa abordagem mais democrática.
IA também chega ao desktop… finalmente
A fechar o ecossistema, a ASUS apresentou novos desktops e all-in-one preparados para Copilot+. O V700 mini tower, os V500 mini tower e o VM441QA AiO, este último com a curiosidade de ser o primeiro all-in-one do mundo com processador Snapdragon.
Não são máquinas pensadas para entusiastas, mas fazem todo o sentido para casa e escritório. Silenciosas, eficientes, visualmente integradas no espaço e, finalmente, com IA local que não depende apenas da cloud.
Conclusão
O portefólio da ASUS para 2026 mostra uma marca mais madura. Menos obcecada com números soltos e mais focada na experiência completa. Nem tudo é para toda a gente. Mas quase tudo faz sentido dentro do seu contexto.
Agora falta o mais importante. Testar tudo isto no mundo real, esperemos nós a preços que façam sentido neste louco ano de 2026.

