Já viste aqueles filmes em que um asteroide gigante ameaça acabar com a vida na Terra e uma equipa heroica corre para o desviar? Pois bem, a parte do asteroide não é ficção. Um dos maiores especialistas da NASA acaba de deixar um aviso claro: um grande impacto vai voltar a acontecer. A boa notícia é que, ao contrário dos dinossauros, nós temos margem para nos prepararmos.
Asteroide vai voltar a atingir a Terra: o que disse o especialista
Humberto Campins, especialista em asteroides da NASA, falou à agência EFE à margem de um congresso sobre espaço em Oviedo, Espanha. A mensagem dele é direta: estes choques são “inevitáveis” com o passar do tempo, e por isso a civilização tem de estar preparada.

Atenção a um pormenor importante, porque é fácil entrar em pânico à toa. Campins deixou claro que, como indivíduos, não temos “nada com que nos preocupar” no dia a dia. O aviso é à escala da humanidade e do longo prazo, não é algo que te vá cair em cima amanhã a caminho do trabalho.
Como é que a Terra se defende de um asteroide
Isto parece coisa de ficção científica, mas já é um trabalho sério há décadas. Segundo Campins, há pelo menos três ou quatro décadas que a NASA convenceu o governo dos Estados Unidos de que a ameaça era real. Desde então, coordena uma rede mundial de telescópios e cientistas cuja missão é descobrir asteroides e perceber se a trajetória deles é perigosa.
Para classificar esse risco, os cientistas usam uma escala própria, chamada escala de Torino, que funciona como um modelo de probabilidades. E os números acalmam bastante: os astrónomos só ficam de olho num asteroide de 100 metros quando as probabilidades de colisão são inferiores a 0,3%. Ou seja, mesmo o que lhes chama a atenção tem uma hipótese ínfima de acontecer.
A missão que testou “empurrar” um asteroide
Aqui está a parte fascinante. As agências espaciais não estão só à espera, estão a treinar. A Agência Espacial Europeia tem uma lista de mais de 800 asteroides considerados “próximos da Terra” e com risco potencial, e usa-os para ensaiar.

O exemplo mais conhecido é a missão DART, da NASA, pensada para testar tecnologias capazes de desviar a trajetória de um asteroide. A ideia é simples de perceber: em vez de o destruir como nos filmes, dá-se-lhe um “encontrão” calculado para mudar ligeiramente o rumo. E fazem simulacros a cada três anos para manterem uma espécie de “memória institucional”, pronta a reagir se algum dia o perigo for real.
O lado inesperado: há dinheiro nos asteroides
Nem tudo nos asteroides é ameaça. Campins lembrou que, quando passam perto da Terra, ganham uma velocidade parecida com a do nosso planeta, o que os torna “ideais para mineração espacial”.
Não é conversa de sonhador. Um estudo internacional liderado a partir de Espanha, pelo Instituto de Ciências do Espaço (ICE-CSIC), está mesmo a analisar a possibilidade de extrair minérios destes corpos rochosos, que podem conter metais e compostos essenciais para a tecnologia do futuro. O especialista acredita que dentro de “uma ou duas décadas” isto vai começar a acontecer, para ajudar a criar e manter bases e centros de dados no espaço.







