Durante anos fomos educados a pensar que mais resolução é sempre melhor. Passámos do HD Ready para o Full HD, depois para o 4K, e agora o 8K já aparece nas lojas como se fosse o passo lógico seguinte.
Mas, se o salto para o 4K foi rápido e furioso, o interesse à volta do 8K não parece ser de todo o mesmo. Por isso, a questão é simples: faz sentido dar esse salto agora?
A resposta curta é não. Porém, a resposta longa é inegavelmente muito interessante.
A resolução chegou antes do conteúdo, mas o problema vai além disso.
Tecnicamente, uma TV 8K é impressionante.

Ao olhar mais casual, 8K pode parecer o dobro do 4K. Afinal de contas, 4*2 = 8. Mas… Na realidade, estamos a falar de quatro vezes mais píxeis do que uma TV 4K. O que obviamente significa uma imagem mais nítida e detalhada.
O problema é que essa teoria depende de uma coisa essencial: O conteúdo 8K.
É aqui que está o grande problema. Em 2026, praticamente não existe conteúdo 8K real para consumir. Nem nos serviços de streaming, nem no cinema, nem nos jogos. Existem demos, promessas, vídeos promocionais e pouco mais.
E o pior é que muito provavelmente vai demorar algum tempo até que esse conteúdo exista. As consolas de nova geração foram adiadas para 2030. Fazer streaming de conteúdo 8K é um autêntico pesadelo por ser complexo e caro, e por isso… Está tudo no limbo.
Ou seja, nada que justifique um investimento que, na prática, vai servir para ver conteúdo 4K. Algumas vez 4K com upscale para 8K.
Basicamente, vais pagar mais para ver exatamente o mesmo conteúdo que já vês hoje, algo aqui não bate certo.
4K continua a ser o ponto ideal!
Uma boa TV 4K, especialmente OLED ou Mini LED, continua a oferecer uma qualidade de imagem brutal. Pretos profundos, brilho elevado, excelente contraste e suporte para HDR de qualidade. Tudo isto com conteúdo abundante, otimizado e feito a pensar exatamente nesta resolução.
Além disso, as TVs 4K atuais fazem um excelente trabalho a escalar conteúdos em Full HD. Ou seja, mesmo aquilo que não é 4K fica melhor do que nunca. O salto qualitativo é real, visível e imediato.
No caso das TVs 8K, o upscale existe, sim, mas o ganho face a uma boa TV 4K é, na maioria dos cenários, mínimo. E muitas vezes invisível.
A diferença para o 4K não é significativa o suficiente.
Este é outro ponto que raramente é discutido com honestidade. A diferença entre 4K e 8K só começa a fazer sentido em ecrãs realmente gigantes… e a distâncias muito curtas.
Na vida real, a maioria das pessoas tem TVs entre 55 e 75 polegadas e senta-se a vários metros do ecrã. Nessas condições, distinguir 4K de 8K é extremamente difícil, quando não impossível. Há testes cegos que mostram exatamente isso. As pessoas simplesmente não conseguem dizer qual é qual.
Ou seja, estás a pagar por algo que o teu próprio olho não consegue aproveitar.
Upscalle não faz diferença?
As TVs 8K prometem upscalle de conteúdo 1080p e 4K, e de facto, a coisa até é interessante. Mas… Como dissemos em cima, a diferença perceptível é mesmo muito pequena.
Então, quando faz sentido comprar 8K?
Há apenas dois cenários razoáveis. Ou estás a falar de um ecrã gigantesco, acima das 85 ou 90 polegadas, e sentas-te relativamente perto, ou simplesmente encontraste uma promoção absurda que torna a diferença de preço irrelevante.
Fora isso, comprar uma TV 8K em 2026 é pagar para dizer que tens 8K. Não é pagar por uma experiência melhor.

