Já falei algumas vezes das minicâmaras fotográficas que andaram a fazer as delícias dos fãs do “antigo“. Mas a realidade é que esses produtos já não existem dentro de uma bolha. Estão a ganhar muita popularidade e, como seria de esperar, há grandes marcas prontas a ganhar dinheiro com isso.
Dito tudo isto, a Fujifilm, que é sem dúvida a rainha indiscutível do revivalismo do filme instantâneo. Vendeu milhões de câmaras instax a adolescentes e saudosistas, e podemos até dizer que salvou o negócio do papel químico. Isto ao saber capitalizar como ninguém o charme analógico na era digital.
Agora está na hora de ir um bocadinho mais além. Mesmo sem papel à mistura.
As câmaras dedicadas ganharam uma nova vida!

Portanto, a marca japonesa acaba de anunciar a nova instax Pal 2 por uns expressivos 169,99 euros em Portugal.
Uma câmara ultraportátil com ar retro, visor ótico e ligação ao smartphone… mas que NÃO imprime uma única fotografia de forma autónoma! Ou seja, a marca quer afastar-se um bocadinho do papel, para começar a entrar na moda da câmara dedicada que passa de imediato as suas fotos para o telemóvel.
No fundo, pedem 170 euros por um sensor modesto de 10 megapixels e um ecrã minúsculo de 1 polegada, para fazeres exatamente aquilo que o teu smartphone já faz com mais qualidade. Faz algum sentido gastar este dinheiro?
É uma pergunta complicada, porque o mercado vive muitas vezes de “modas”, e esta é a mais recente.
O que traz a instax Pal 2 de novo para a mesa?

Para esta segunda geração, a Fujifilm tentou responder a algumas das críticas dos utilizadores, colando-se ainda mais à estética clássica dos aparelhos analógicos.
Entre as novidades e características técnicas encontramos:
- Visor ótico de verdade e ecrã de 1 polegada: O corpo minúsculo (que cabe na palma da mão) ganhou um visor ótico autêntico para ajudar no enquadramento à moda antiga, acompanhado por um pequeníssimo ecrã LCD de 1.0 polegada na parte superior para pré-visualizar o disparo.
- Sensor de 10 megapixels e animações: Captura imagens estáticas até 10 MP e introduz o modo “instax Animation”, que tira uma rajada de 10 fotogramas para gerar uma espécie de animação em formato flipbook digital.
- Filtros e formatos digitais: Permite simular as proporções do filme instax mini, SQUARE ou WIDE antes de transferir o ficheiro, além de contar com cinco temas de filtros, cada um com meia dúzia de efeitos cosméticos.
- Ligações modernas: Traz porta USB Tipo-C integrada para ligar diretamente ao telemóvel ou carregar a bateria, Bluetooth 5.1 e uma ranhura para cartões microSD (que, claro está, não vem incluído na caixa). A memória interna guarda apenas umas míseras 100 fotografias antes de te obrigar a descarregar tudo para a aplicação móvel.
Qual é a utilidade prática deste aparelho?
Se quiseres ser mesmo muito prático, é nenhuma. Mas isso é verdade para qualquer câmara digital nos dias que correm. A esmagadora maioria das pessoas tem um smartphone no bolso que já é capaz de fazer tudo e mais alguma coisa.
Aqui é uma questão de charme, ou uma questão de ter um novo brinquedo para alimentar o teu hobby da fotografia.
É evidente que a Fujifilm não está a vender este produto a fotógrafos puristas nem a quem procura a melhor relação qualidade-preço do mercado. A instax Pal 2 foi desenhada a pensar nas redes sociais, nas festas de amigos e no público jovem que olha para estes objetos como acessórios de estilo com cores elegantes (em preto ou branco) para pendurar ao pescoço ou pousar numa mesa de café.
Por 170€? Não me parece o fim do mundo. Mas vai ser sempre um produto de nicho.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Achas que a instax Pal 2 tem piada como conceito ultraportátil de bolso? Ou pagar 170 euros por uma câmara de fotografia instantânea que não imprime de forma autónoma é um absurdo completo?






