Entras no carro depois de umas semanas, ligas o ar condicionado e vem aquele cheiro. A meio caminho entre roupa húmida esquecida e adega fechada, aparece nos primeiros segundos e vai desaparecendo à medida que conduzes. Não é do combustível, não é do estofo e não é o carro a ficar velho. É biologia e tem solução. Mas o que fazer num ar condicionado do carro que cheira a mofo?
O ar condicionado do carro cheira a mofo? A culpa é disto
O ar condicionado arrefece o ar fazendo-o passar por um permutador chamado evaporador, escondido atrás do tablier. Quando o ar quente e húmido do verão toca nessa superfície fria, a humidade condensa, exatamente como acontece num copo de bebida gelada.

Essa água escorre e sai por um tubo de dreno para debaixo do carro, é por isso que vês uma poça sob o veículo depois de andares com o ar ligado, e é perfeitamente normal. O problema é o que fica: uma superfície permanentemente húmida, às escuras, a uma temperatura amena, com pó e pólen que entraram pelo sistema. É um ambiente ideal para bactérias, bolores e fungos se instalarem.
O cheiro a mofo que sentes ao arrancar é o resultado da atividade desses microrganismos. E não é apenas desagradável: pode ser desconfortável para pessoas com alergias ou problemas respiratórios.
O erro que agrava tudo
Há um hábito que piora bastante o problema, e quase toda a gente o tem: desligar o motor com o ar condicionado a funcionar. O evaporador fica encharcado, o carro fecha-se ao sol e a humidade permanece lá dentro horas ou dias.
O gesto que resolve é simples. Uns minutos antes de chegares ao destino, desliga o botão do ar condicionado mas deixa a ventilação a soprar. O ar seco que continua a circular ajuda a secar o evaporador antes de estacionares. Repetido com regularidade, isto sozinho evita boa parte do problema.
O filtro que ninguém se lembra de trocar
Todos os carros modernos têm um filtro do habitáculo, também chamado filtro de pólen, que retém pó, pólen e partículas antes de o ar entrar. Ao fim de algum tempo fica saturado, com matéria orgânica acumulada e húmida e passa ele próprio a ser fonte de cheiro.
É uma das peças mais baratas e mais esquecidas do carro. A substituição costuma ser recomendada anualmente ou a cada determinado número de quilómetros, e em muitos modelos é acessível por trás do porta-luvas, ao alcance de qualquer pessoa com uma chave de fendas e dez minutos.
Quando o cheiro persiste
Se já trocaste o filtro e o cheiro continua, o foco está no evaporador e é preciso desinfetá-lo. Existem produtos específicos em spray ou espuma, aplicados pelas entradas de ar ou diretamente no sistema, com o ventilador ligado em recirculação para os distribuir. Segue as instruções do produto, com o habitáculo bem arejado depois.

Convém ainda confirmar que o tubo de dreno não está entupido, o que é comum em carros estacionados sob árvores. Se a água de condensação não sai, acumula-se e o problema torna-se permanente — em casos extremos chega a aparecer humidade no tapete do lado do passageiro.
Um mau cheiro que também é um aviso
Vale a pena distinguir. O cheiro a mofo é o caso típico e resolve-se como acima. Mas um cheiro doce e adocicado pode indicar fuga de líquido de refrigeração, e um cheiro a queimado ou a plástico quente exige atenção imediata numa oficina.
Entretanto se o teu carro esteve semanas parado nas férias, é natural que o primeiro arranque traga este cheiro com mais intensidade. Abre as janelas, deixa correr ar durante uns minutos e, se persistir, começa pelo filtro. Custa pouco e resolve na maioria dos casos.







