A Apple até é bastante conhecida por ser “simpática” no lado das atualizações de software. Ou seja, é normal esperar 5 ou 6 anos de atualizações em todos os produtos que compras à maçã. De facto, a gigante norte-americana já anda a fazer isto há várias gerações, muito antes das promessas de 6 e 7 anos do lado Android da coisa.
Mas, no lado do Apple Watch, parece que a promessa não vai ser cumprida.
A Apple cortou as pernas ao Apple Watch Ultra original!
Se estás ligado ao mundo da tecnologia, sabes perfeitamente que a Apple tem uma capacidade única para nos dar uma novidade incrível com uma mão e, logo a seguir, pregar-nos uma bofetada com a outra.
Dito tudo isto, a WWDC deste ano trouxe-nos o futuro watchOS 27, o próximo grande sistema operativo para os relógios da maçã que chega já no outono. Mas a gigante de Cupertino decidiu fazer uma limpeza sem precedentes na lista de dispositivos compatíveis neste ano de 2026. A maior vítima? Deixa qualquer um de boca aberta! Afinal, o Apple Watch Ultra de primeira geração foi deitado para o lixo das atualizações.
Sim, leste bem. Um relógio premium, vendido como um autêntico tanque de guerra tecnológico e que custou uma fortuna em 2022, vai deixar de receber novidades de software. Aliás, este é um dos relógios mais populares no lado dos recondicionados, porque ainda é “recente”, é exatamente igual aos novos Ultra e deveria receber atualizações durante muito tempo.
Mas o corte foi tão agressivo que muitos relógios vão ficar para trás. A culpa está na IA, claro.
A mentira dos processadores?
Sem surpresas, a culpa é da Inteligência Artificial. O novo sistema vai estrear uma aplicação da Siri totalmente remodelada com IA (muito parecida com o ChatGPT) e um assistente de treinos virtual melhorado. Segundo a Apple, estas funções e os novos gestos de toque só correm como deve ser se tiverem o poder de processamento do chip S9 ou superior.
Mas a culpa não é só da IA! A verdade nua e crua é que a Apple passou anos a enrolar os consumidores com o hardware dos relógios.
Os processadores do Series 6, 7 e 8 eram tecnicamente idênticos e usavam uma arquitetura reciclada do velhinho chip A13 do iPhone 11 (lançado em 2019!). Por isso, o primeiro Apple Watch Ultra, apesar do preço balnear, também herdou esse motor antigo. A marca só mudou de vida com o chip S9 (presente no Series 9 e Ultra 2), que entrega uma velocidade até 52% superior nos benchmarks.
Assim, como a Apple recusa lançar o watchOS 27 sem a nova Siri para os modelos antigos, prefere simplesmente matar o suporte.
Tudo para te fazer abrir a carteira?
Se queres ter o novo sistema no pulso, a marca diz-te que o limite mínimo passa a ser o Apple Watch Series 9, o Ultra 2 ou o mais recente SE 3. É a clássica jogada de mestre da Apple a usar a Inteligência Artificial como a desculpa perfeita para empurrar os utilizadores para a atualização de hardware, forçando quem tem um relógio perfeitamente capaz a ir correr para as lojas.
Não fica nada bem à Apple. Podia e devia ser possível lançar a nova atualização sem as capacidades de IA. Tal e qual como acontece no iOS para os modelos mais antigos do iPhone.





