Quantas vezes já vos disse aqui na Leak.pt que a Apple tem aquele hábito irritante de chegar atrasada a todas as festas da tecnologia, mas com a mania de que foi ela que inventou a roda? Foi assim com várias tecnologias, e de facto, as coisas até costumam correr bem para a fabricante.
Não é que a tecnologia em si seja uma enorme novidade, mas a coisa vem refinada.
É exatamente por isso que a entrada no mundo dos dobráveis é importante, e é também extremamente interessante.
A Samsung, a Google, a Huawei e a Oppo passaram anos a sangrar, a errar e a afinar dobradiças para criar aparelhos incrivelmente finos, leves e sem vincos visíveis no ecrã. A pergunta que se impõe é simples: tem a Apple capacidade para fazer algo genuinamente melhor ou vai limitar-se a colar a maçã a um conceito que a concorrência já domina há anos?
A sombra da Samsung e o formato estilo “Passaporte”

Se olharmos para o mercado atual, a Samsung praticamente atingiu o ponto rebuçado com o Galaxy Z Fold 8 Ultra e a sua versão base em formato passaporte. O aparelho fecha perfeitamente plano, quase não tem vinco a meio do vidro e parece um telemóvel perfeitamente normal no bolso quando está fechado.
É sempre muito curioso ver como as coisas funcionam, mas o facto de a Samsung ter “roubado” a fórmula à Apple, também a meteu naquilo que é topo deste nicho de mercado.
Onde é que a Apple pode tentar fazer magia diferente? Fala-se no recurso a componentes de “metal líquido” na dobradiça para tentar erradicar por completo a marca do vinco ao centro e, claro, no poder de fogo do novo processador Apple A20 com 12GB de RAM e o modem proprietário C2 para garantir uma autonomia sólida.
O mercado dos dobráveis precisa da Apple para explodir?
Apesar de a gama Galaxy Z Fold vender alguns milhões de unidades todos os anos… O universo dos telemóveis dobráveis continua a ser uma gota de água num oceano quando comparado com as vendas brutais dos iPhones tradicionais! Que ultrapassam facilmente os 200 milhões de unidades ao ano. Ou seja, muita gente fora da bolha quer um ecrã flexível, mas recusa-se a sair do ecossistema iOS.
É exatamente por isso que a Apple não precisa obrigatoriamente de lançar o dobrável mais revolucionário ou com as melhores câmaras do planeta. Até porque tudo indica que virá com apenas dois sensores traseiros, sem teleobjetiva dedicada.
Para fazer o mercado explodir, basta-lhe colocar a maçã num aparelho robusto, estável e perfeitamente integrado no ecossistema.
Agora, resta saber se a marca vai conseguir justificar o preço pornográfico que aí vem. Ou se a Samsung vai continuar a rir-se no topo da engenharia dos dobráveis.







