A Apple quer disfarçar a loucura dos preços com o “Apple Upgrade”: Isto significa pagar uma renda todos os meses. Possivelmente para sempre.
Se andas atento aos abusos de preço, à crise das memórias e à forma como as marcas tentam mascarar a inflação com formatos de negócio “amigáveis”, já sabes que a Apple é a rainha indiscutível desta praia. A marca sabe que pode vender produtos a preços altos, mas também sabe que os consumidores estão a chegar ao seu limite.
Por isso, com os preços dos componentes a disparar e os novos equipamentos a chegarem ao mercado com etiquetas cada vez mais assustadoras, a gigante de Cupertino arranjou a solução perfeita: o novo programa Apple Upgrade.
Assim, desenvolvido em parceria com a fintech Klarna, a ideia é permitir que faças um leasing ou financiamento não só do teu próximo iPhone, mas também do iPad, MacBook e Apple Watch. O objetivo? Suavizar o tombo no teu cartão de crédito e fazer-te esquecer que estás a pagar uma pipa de massa por tecnologia.
Mas… Ficas preso… Possivelmente para sempre.
Leasing a 24 e 36 meses: A ilusão da mensalidade “simpática”?

Esta jogada vem substituir o antigo iPhone Upgrade Program, ao mesmo tempo que alarga o conceito a quase todo o ecossistema da marca. Ou seja, para relógios e iPhones, vais ficar preso a contratos de 24 meses. Para computadores Mac e iPads, a renda estende-se por uns longos 36 meses.
E atenção aos pormenores que a Apple prefere esconder nas entrelinhas! Ao contrário do programa antigo gerido diretamente por eles, esta nova modalidade passa a responsabilidade financeira para a Klarna e, como tal, deixa de incluir a proteção AppleCare+ contra roubo, perda ou danos. Ou seja, ficas a pagar uma mensalidade durante anos e, se tiveres um azar com o aparelho, a dor de cabeça continua a ser inteiramente tua.
Entretanto e convenientemente, a marca deixou de fora os modelos de entrada mais baratos, como o iPhone 16, o MacBook Neo, o Apple Watch SE e o iPad base. A mensagem é claríssima! Leasing é para os modelos mais caros, precisamente para convencer o consumidor a dar o salto para o topo de gama sem sentir o golpe imediato na carteira.
Subscrições perpétuas? É isto que as marcas querem?

Para não entrarmos em pormenores financeiros aborrecidos, a matemática da Apple é simples. Sabendo que o utilizador comum já não consegue largar 1700€ ou 2000€ de uma assentada por um portátil ou telemóvel, disfarçam o aumento brutal dos preços dividindo o valor em dezenas de mensalidades.
No final do contrato de 2 ou 3 anos, o aparelho continua a não ser verdadeiramente teu, o produto já desvalorizou brutalmente e a única alternativa lógica que te vão vender é renovar o contrato para ficares com o modelo seguinte. É o cenário dos sonhos para a Apple, que garante receitas fixas todos os meses, e a armadilha perfeita para o teu orçamento.
Se faz sentido para ti… É uma questão de fazer contas e perceber se é mesmo isto que queres.
Se comprares um smartphone, ficas com ele. Quando quiseres trocar, podes pura e simplesmente dar o velho a alguém, ou vender numa das muitas plataformas de revenda. Já neste caso, trocas para o novo, e o antigo volta para a marca, muito provavelmente para ser revendido como recondicionado. (Normalmente existe a hipótese de adquirir o aparelho através de um pagamento residual, mas não é claro que isto aconteça aqui).
Também não é claro que este programa chegue cá. Mas… Visto que a própria Samsung já o faz em Portugal, não seria assim tão inacreditável.






