A Apple anunciou ontem uma renovação alargada de produtos, colocando no palco novos iPhone, AirPods e até relógios Apple Watch. Mas a verdade é que esta apresentação não teve o mesmo sabor de outros tempos. Ficou ali uma sensação estranha no ar.
Afinal de contas, enquanto os relógios e os auriculares parecem manter os valores habituais, os novos smartphones sofreram um aumento substancial na etiqueta de preço. Para piorar o cenário, a Apple nem sequer lançou a gama completa neste evento!
Em vez do pacote habitual, limitou-se a mostrar o iPhone 18 Pro, o 18 Pro Max e o dobrável iPhone Duo, empurrando o iPhone 18 convencional, o novo Air 2 e o modelo “e” para o próximo ano. Esta decisão é no mínimo curiosa, até porque, caso não saibas, é precisamente o modelo base que ano após ano carrega o grosso do volume de vendas às costas.
Por tudo isto, não é garantido que o rolo compressor de vendas da gigante de Cupertino continue a funcionar com a facilidade do costume.
Apple pode apanhar um choque de realidade: O mercado mudou!

A marca da maçã está acostumada a despachar facilmente mais de 200 milhões de smartphones todos os anos. Só que, em 2026, a estratégia mudou, e os resultados também vão mudar. Ontem ficou claro que, durante o resto do ano, apenas vamos encontrar três novidades nas prateleiras, que são precisamente as mais caras de todo o alinhamento: o iPhone 18 Pro (1499€), o iPhone 18 Pro Max (1649€) e o novíssimo dobrável iPhone Duo (2399€).
Valores que metem respeito a qualquer conta bancária, sobretudo quando olhamos para a loucura do novo Duo. Isto cria um nó estratégico difícil de desatar para a própria Apple, algo que ficou bem percetível durante a transmissão do evento.
O jogo virou e os erros começam a acumular-se?

Os novos iPhone 18 Pro e Pro Max trazem melhorias tão marginais face à geração anterior que quase parece um insulto pedir mais 150€ por cada um. Aliás, são melhorias tão ligeiras, que fica a ideia de que até poderiam não existir. Para agravar a situação, os holofotes foram todos sugados pelo iPhone Duo.
O entusiasmo do público e da internet virou-se em exclusivo para o formato dobrável, deixando os modelos Pro a parecerem relíquias aborrecidas, apesar de estes últimos serem objetivamente mais potentes e práticos para a rotina diária.
Eu próprio, enquanto apaixonado por gadgets, adoraria andar com o iPhone Duo no bolso e ponderaria a compra se o valor fizesse sentido. No entanto, perante uns astronómicos 2400€, a minha reação natural é fechar a carteira e nem sequer perder tempo a olhar para o 18 Pro ou para o Pro Max.
E o buraco não fica por aqui.

O iPhone 17 normal, que agora só terá sucessor lá para a primavera de 2027, viu o seu preço sofrer um reajuste para cima, em vez de para baixo como é costume.
Fica a grande incógnita: o que vai fazer o consumidor comum? Vai esperar meio ano pelo modelo base? Vai aceitar pagar mais por um telefone com um ano no lombo? Ou vai simplesmente passar a vez, percebendo que a única novidade verdadeiramente entusiasmante exige vender um rim e meio fígado no mercado negro?
Antes de mais nada, o que pensas sobre esta nova estratégia da Apple? Achas que deixar os modelos mais acessíveis para 2027 e apostar tudo no segmento acima dos 1500€ vai resultar, ou a marca vai ter de levar uma lição de humildade nas vendas? Mas pior… Se a Apple não vende… Quem vende? Vão ser meses muito interessantes.






