Durante os últimos dois anos tornou-se quase moda dizer que a Apple está atrasada na inteligência artificial, e de facto está, se formos a olhar para tudo aquilo que anda a ser feito em termos de desenvolvimento e investimento em infraestrutura.
Afinal, enquanto empresas como a OpenAI, Google, Microsoft ou Meta investem centenas de milhares de milhões em modelos gigantes e centros de dados, a Apple parece… calma. Talvez até demasiado calma.
Mas há cada vez mais gente a levantar uma hipótese curiosa, que de facto vai muito de encontro à tradicional estratégia da Apple para quase tudo. Afinal de contas, e se a Apple nunca teve intenção de ganhar a corrida dos modelos?
Enquanto todos gastam biliões… a Apple espera?
Nos últimos anos, a indústria tecnológica entrou numa autêntica corrida à inteligência artificial. Empresas estão a gastar valores absurdos para treinar modelos cada vez maiores. Aliás, estima-se que mais de 1.4 biliões de dólares já tenham sido investidos no desenvolvimento de modelos e infraestrutura.
A Apple fez algo completamente diferente. Ou seja, em vez de entrar na corrida, decidiu esperar.
E quando chegou a altura de escolher uma solução, parece ter feito aquilo que sempre fez. Observar quem está a ganhar… e depois integrar essa tecnologia. Obviamente a um preço muito mais baixo.
Por exemplo, a integração do Gemini da Google poderá custar à Apple cerca de 1 a 5 mil milhões de dólares. Parece muito dinheiro, mas é praticamente trocos quando comparado com o investimento que outras empresas estão a fazer.
O verdadeiro trunfo da Apple não são os modelos!
Enquanto a maioria das empresas está focada em construir o melhor modelo possível, a Apple pode estar a apostar noutra coisa. Distribuição.
Ou seja, se a Apple decidir ativar funcionalidades de IA avançadas no iPhone, iPad ou Mac, não precisa de convencer ninguém a instalar uma nova app. Basta atualizar o sistema.
Assim, de repente, a inteligência artificial passa a existir em mais de 2.5 mil milhões de dispositivos ativos. É uma vantagem que praticamente nenhuma outra empresa consegue replicar.
Outro detalhe importante: IA a correr no próprio dispositivo
Enquanto alguns serviços de IA começam a cobrar subscrições que podem chegar aos 200 dólares por mês, a Apple está a apostar fortemente em processamento local.
Ou seja, modelos de inteligência artificial a correr diretamente no dispositivo.
Isso traz várias vantagens como:
- menor latência
- mais privacidade
- menos dependência da cloud
- custos mais baixos
Este modelo só funciona porque a Apple controla totalmente o seu hardware. Os chips da série Apple Silicon foram desenhados com aceleração dedicada para tarefas de inteligência artificial.
A Apple pode estar a jogar outro jogo?
Enquanto empresas como a OpenAI ainda tentam descobrir como criar dispositivos dedicados para IA, a Apple já tem milhões de aparelhos equipados com chips capazes de correr modelos localmente.
No fundo, a empresa pode estar a apostar numa estratégia muito diferente da maioria da indústria. Que passa obviamente por dominar a camada onde as pessoas realmente usam a tecnologia: o dispositivo e as aplicações.
E se essa estratégia resultar, vai acontecer algo de muito curioso.









