O MacBook Neo não é, de todo, o produto mais rentável que a Apple alguma vez lançou. Isto é óbvio. A margem em cada unidade vendida é bastante pequena, especialmente neste novo mundo da RAM cara que dói. Mas… Não é isso que interessa. A Apple quis lançar uma proposta amiga da carteira, para apostar a sério no seu ecossistema.
Apostar porquê? É simples de perceber. A Microsoft está a passar um mau bocado com um Windows 11 que nunca consegue estar bem, e com um portátil mais barato (mas ainda assim poderoso), é possível ir buscar estudantes, pessoal de escritório, e afins, que sempre quis um MacBook, mas nunca teve a chance de ter uma máquina destas.
Afinal de contas, um MacBook barato vai obviamente buscar clientes que nunca tocaram em nada da Apple. E como deves saber, depois de ter alguma coisa da Apple, é muito provável que vás querer ter mais coisas da Apple. É assim que tudo funciona dentro do reino da maçã.
É uma aposta de futuro, mesmo que não seja uma aposta lucrativa. Mas… Há problemas.
Apple esgotou o stock inicial do MacBook Neo. Isto é Bom e Mau!
Portanto, como já dissemos no passado, este projeto é obviamente muito mais ambicioso do que lançar um MacBook mais barato só porque sim. Serve para trazer mais pessoas para o ecossistema da Apple, e é inegavelmente uma aposta que está a correr bem, tal é o número de mensagens e e-mails que recebo todos os dias a perguntar “vale mesmo a pena comprar um Neo?”.
Mas, é também uma aposta que se baseia num aproveitamento de hardware “estragado”. Sim, o SoC A18 Pro que dá vida ao MacBook Neo foi originalmente pensado para dar vida ao iPhone 16 Pro. O problema é que alguns destes processadores não apresentam os índices de qualidade necessários para tal, e como tal, são postos de lado.
Isto não significa que não funcionem. Apenas não chegavam aos níveis necessários para o iPhone topo de gama da Apple.
O MacBook Neo aproveita muitos destes chips, o que claro está, significa que a Apple está a poupar imenso dinheiro num dos componentes mais importantes e mais caros de qualquer máquina computacional.
Qual é o problema?
Muito sucesso. É o problema.
Pode parecer estranho, mas o MacBook Neo está de facto a vender que nem pãezinhos quentes, o que claro está, significa que o stock inicial já voou das prateleiras. O que por sua vez significa que a Apple teve de apressar encomendas, e está a “queimar” os chips que tinha guardados a uma velocidade que poucos esperavam.
E como seria de esperar, a Apple não quer produzir mais chips destes. Isto não faria qualquer sentido. Mas, pode ser obrigada a tal. Ou então, a Apple até se pode ver obrigada a antecipar o Neo 2, que por sua vez deverá usar as unidades “defeituosas” do A19 Pro, o SoC que dá vida ao iPhone 17 Pro.
No fundo, este é o lado mais curioso de todo o projeto. A Apple acertou numa fórmula que faz sentido para o mercado, mas pode ter acertado demais. Porque uma coisa é lançar um portátil mais barato para chamar atenção. Outra é ter procura a sério e perceber que a base de hardware usada para alimentar esse produto não é infinita.
Mas, é um sucesso que faz todo o sentido para a Apple, mesmo que venha com problemas difíceis de resolver. O mundo Apple nunca esteve tão forte, e com tanto potencial.







